Costa Araújo, entre a Aguarela e o Acrílico

Nascido em Braga em 1947, Costa Araújo viveu em Angola e no Brasil quase toda a sua vida. Viveu também uns anos no Alentejo mas actualmente reside na cidade que o viu nascer.

É artista há largas décadas mas nem sempre se dedicou a tempo inteiro à pintura. O seu traço é único e reconhecível, quer estejamos perante trabalhos seus em aguarela ou acrílico.

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A sua maior fonte de inspiração é o ser humano, em toda a sua pluralidade e singularidade. A expressão de emoções é uma presença constante no seu trabalho e é na figura da mulher, que encontra a sua musa universal.

Expõe com regularidade há já vários anos, em Portugal e no Brasil. Mais recentemente, na Torre de Menagem (Braga), no Espaço Feng Shui (Braga), Galeria Magenta (Figueira da Foz), entre muitos outros.

Nem sempre trabalhaste como artista, no entanto sempre estiveste ligado ao desenho e à pintura. Podes explicar-nos de que forma? Trabalhei sempre ligado à decoração e ao desenho, fazendo projectos de decoração para grandes superfícies, lojas, boutiques…Mas sempre uma vertente artística guiava meus projectos, para lá da pintura dos antigos painéis de Cinema de grandes dimensões em que trabalhei…

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Porquê  a predilecção pela representação da figura humana nas tuas pinturas? A figura humana está sempre presente no meu trabalho e gosto de me envolver com as minha figuras e personagens. Na minha pintura também há muita influência de África e do Brasil.

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Qual o significado da pintura que doas à APDH? A obra doada está ligada aos sonhos e mistérios que muitas vezes nos envolvem…

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Não deixem de visitar a exposição e contemplar esta obra única, em tons de azul-celeste, de Costa Araújo.

E, se estão curiosos, passem pelo seu Facebook, para mais figuras humanas fantásticas!

OBRIGADO Costa Araújo!

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O Segredo mal guardado de Eurico Silva

Eurico Silva é bracarense de gema. Estudou Arquitectura na Universidade Lusíada, em Vila Nova de Famalicão, mas já antes a vertente criativa se manifestava. Prova disso foi ter escolhido a vertente artística durante o ensino secundário.

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É um irrequieto assumido! A sua veia empreendedora ficou conhecida com a Uchi, um novo conceito de habitação, à qual se dedicou durante três anos. Actualmente, é a FUSCA que o ocupa a duzentos por cento, uma plataforma de divulgação de artistas emergentes, que faz jus ao nome sugestivo que tem, e de que o Eurico nos fala entusiasticamente, na entrevista que se segue!

O que poucos saberão é que Eurico Silva pinta. E bem! Convidámo-lo a colaborar com esta iniciativa e, de coração amplo e solidário (ou não fosse ele voluntário da Refood-Braga), aceitou!

Lembras-te de como começaste a pintar e porquê? Sempre gostei de desenhar, de experimentar materiais diferentes, desde que me conheço. O lado criativo estava sempre presente. Estudei artes e, mais tarde, arquitetura. A pintura surge como uma necessidade de transportar para um suporte físico toda a criatividade em momentos pontuais de inspiração.

Já não pegava numa tela e nos pincéis há alguns anos e, de um momento para o outro, apeteceu-me voltar a sujar as mãos de tinta, fechar-me num mundo só meu, descrever o que sinto e como penso ou imagino, a melhor forma de me expressar.

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Considerarias explorar esse talento para além do hobby? Não, definitivamente, não. A pintura acaba por ser um momento de introspeção, onde me encontro, onde comunico comigo mesmo, sem regras, numa liberdade com formas, texturas, cheiros e cor.

Se isso acontecesse, qual a pergunta chave que a FUSCA faria ao artista Eurico Silva (não conseguimos resistir!) Não me considero um artista, e a pergunta é difícil 🙂

A melhor pergunta que a FUSCA me poderia fazer seria talvez: “Não consegues estar parado?” A resposta é não. Definitivamente não. Gosto de desafios, gosto de traçar um caminho e não descanso enquanto não o percorrer. Sou ambicioso, muito determinado. A FUSCA aparece na resposta a uma necessidade que achei pertinente explorar. Criar uma plataforma para promover artistas emergentes, procurar aproximar os artistas das galerias, dos curadores de arte e, claro, dos clientes. Os artistas são muitos e, verdadeiramente, bons. Fico surpreendido com o feedback extremamente positivo que estamos a receber. É muito compensador vermos o nosso trabalho, a nossa dedicação, ser reconhecida. O trabalho está a ser bem feito, a equipa está a crescer e é escolhida a dedo e fica fácil quando a matéria-prima são os artistas e o seu enorme talento, porque sem eles não fazia sentido, e o projeto existe dos artistas e para os artistas. Apenas com três meses de vida já ultrapassamos as 25.000 visualizações num blog que já é seguido em países de todos os cantos do mundo: da Austrália ao Reino Unido, da Polónia a Moçambique, do Brasil aos Estados Unidos. Também fomos convidados para a 25ª Edição dos Encontros de Imagem, em Braga. Será a primeira apresentação pública da FUSCA e estamos a preparar tudo ao pormenor, desde exposições, projeções, apresentações, instalações e uma cobertura, em tempo real, da Open Week! 23-26SET, em Braga.

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Qual o significado da peça que doas à APDH? A obra que decidi doar à APDH é a primeira pintura de uma série que pretendo criar e onde vou pintar Mulheres marcantes da história. Pretendo posteriormente mostrar esse trabalho numa exposição, organizada pela FUSCA, claro 😉

A obra em questão retrata a senhora Brites de Almeida, mais conhecida como “A Padeira de Aljubarrota”, e que traduz a valentia, a determinação, a coragem e a destreza.

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A Padeira de Aljubarrota, pintada a acrílico numa tela impactante, de um metro quadrado! Curiosos? Passem pelo GNRation no dia 10 de Outubro, onde será apresentada em primeira mão.

OBRIGADO Eurico Silva!

Joana Silva – Sonha, logo pinta!

A Joana nasceu e vive em Vila das Aves. É uma sonhadora irremediável e não há contrariedade, por maior que seja, que lhe roube essa capacidade.

Assume um modo de vida sui generis, livre de acessórios que a impeçam de ser autêntica.

Mais do que ser, é o que os outros potenciam nela que a realiza.

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Gosta de andar de bicicleta e de fazer penosas subidas, pela adrenalina das descidas.

Uma vez escuteira, escuteira toda a vida! Nos escuteiros aprendeu a conquistar desafios e a confiar que “deixará o mundo um pouco melhor”.

Licenciada em gestão de recursos humanos, por acreditar que juntos somos melhores, passou pelo instituto de emprego e formação profissional, na qualidade de técnica superior de emprego, e pela Ordem da Trindade como administradora de sistema e coordenadora do atendimento.

Gosta de moda e como tal, trabalha actualmente num gabinete de modelismo.

Como hobby tem a pintura, que leva a sério no atelier de artes que frequenta.

Por isso mesmo, a exposição Huntington no GNRation contará com uma tela criada pelas suas mãos!

O que desencadeou o teu interesse pela pintura? O meu interesse pela pintura vem da minha vontade de pintar. Não sei indicar o momento exacto em que isso começou…na escola com a disciplina de EVT. Depois, por vezes, comprava umas telas pequeninas e pintava com guache, e mais tarde comecei a frequentar um atelier de artes cujo nome é Multiartes onde os professores Manuela Araujo e Carlos Pereira me incentivaram e ensinam a pintar telas, entre outras coisas. Mas a minha mãe diz que eu desde pequenina gostava era de pintar a “manta” (risos).

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Pintas apenas por descontracção ou consideras tornar esse talento numa actividade mais séria? Pinto quando me apetece, portanto não tenho como objectivo fazer disso modo de vida.

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Porque aceitaste colaborar com esta iniciativa e qual o significado da tela doada à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? Na qualidade de portadora da mutação de Huntington e associada da APDH, só fazia sentido colaborar com esta iniciativa, sendo esta organizada por uma pessoa tão especial.

A tela doada foi a primeira tela que eu pintei, foi a minha primeira criação, as cores que coloquei na tela correspondem a diferentes momentos de criação, de emoção, de introspecção, de mim!

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Uma tela que mostra uma Joana apostada em “dar um jeito” à realidade, recorrendo a uma paleta alegre! Venham vê-la em primeira mão, no dia 10 de Outubro.

OBRIGADO Joana Silva!

Paisagens abstratas, por Teresa Vilar

Teresa Vilar licenciou-se em Design/ Artes Gráficas pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, em 1989.

Desde então, dedica-se ao ensino no 3º ciclo, em Braga, na Área de Expressões, desenvolvendo, paralelamente, produções gráficas no contexto da vivência da Comunidade Escolar e projectos artísticos experimentais.

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O seu percurso na pintura é longo e consistente, tendo-se iniciado mesmo antes da conclusão da licenciatura. Desde 1986 que expõe individualmente e em participações colectivas, quer em Portugal quer em Espanha.

A pintura é uma paixão que vem de criança ou desenvolveu-se durante o curso na faculdade de Belas Artes? A minha paixão pela ​pintura, e arte em geral, começou em tenra idade. Tudo aquilo que fosse possível eu criar e desenvolver de forma diferente do comum, sendo original, ​era motivo de entusiasmo para mim.

E, na minha juventude, as  Belas Artes constituíam,​ na minha perspectiva, o lugar onde tudo isso era possível.

Por isso, eram o meu sonho e aí me formei em Design / Artes Gráficas. A par da minha actividade profissional como professora da área de Artes, a pintura esteve sempre presente na minha vida.

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E a pintura abstrata tão característica da Teresa Vilar​, que técnicas utilizas para a desenvolver? A pintura abstrata só se torna mais evidente no meu percurso após a minha formação nas Belas-Artes. Fiquei, por assim dizer, “cansada” de desenhar o real/ concreto, pois havia todo um universo pictórico mais alargado que me interessava explorar, construído muito mais na base das emoções, sensações, sugestões, sonhos, ou seja, toda uma representação de conceitos e ideias mais abstratas, num reflexo daquilo que queria exteriorizar. Por isso, tento tirar o máximo partido de cada técnica para potencializar o registo de conceitos e paisagens abstractas, de uma forma muito diversa.

No passado utilizei muito aguarela, óleo, pastel seco e pastel de óleo; o acrílico foi e continua a ser uma técnica que gosto de desenvolver, bem como soluções mistas e outras mais recentes como são a técnica de encáustica e a técnica de vidro  frio. No fundo, eu adapto-me às técnicas e adapto-as ao meu registo pessoal.

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Como nasceu a tela que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? ​O quadro “Regata na ria” está relacionado com momentos de observação da ria e do movimento enérgico das manhãs, ao nascer-do-sol, ou das tardes, com o pôr-do-sol.

Esta escolha para doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington, resulta da intenção de partilhar estas impressões sobre esses lugares e momentos pessoais que me trazem ora energia, ora tranquilidade, e assim serem também inspiração para se viver a vida o melhor possível.

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Ficarão a conhecer o quadro “Regata na ria” durante a inauguração da exposição colectiva, durante a tarde do dia 10 de Outubro, na galeria CMB do espaço GNRation. Até lá, vão seguindo notícias sobre o trabalho de Teresa Vilar, no seu site.

OBRIGADO Teresa Vilar!

Raquel Costa e os seus planos para dominar o mundo!

Raquel  Costa é artista plástica e ilustradora. Reside em Braga, expondo regularmente em Portugal e no estrangeiro. Entre muitas outras coisas, ilustra livros infantis e capas de discos. Gosta de mistérios Vitorianos, de livros, de árvores e de gatos.Raquel costa3

É nos livros e na magia escondida nos pequenos prazeres quotidianos que encontra inspiração para o seu trabalho. O seu little black spot, criado em 2011, é agora um projecto consistente, caminhando a passos largos para alcançar os planos que a Raquel projectou para ele: a dominação mundial!

O mundo agradece Raquel!

Vala pena ler o que nos disse:

Lembras-te do teu primeiro desenho? Foi a partir desse ponto que decidiste que a tua vida ia estar ligada à ilustração? Não houve um momento em que tenha, conscientemente, decidido começar a desenhar. É algo que sempre me acompanhou desde criança, mesmo antes de saber ler ou escrever.

Comecei a desenhar desde que fui capaz de segurar lápis na mão, portanto acho que não posso dizer que me lembre do primeiro desenho de todos. (risos)

Mas recordo-me que desde muito cedo foi evidente a minha afinidade com as artes, e à pergunta “o que queres ser quando fores grande?” respondia frequentemente “pintora” ou “arquitecta” ou “estilista”. Acabei por enveredar pelas Artes Plásticas (especificamente pela área da Escultura), pelo que a ilustração acabou por ser um desvio de percurso mais recente, mas muito feliz, porque me permitiu descobrir aquilo que me dá realmente mais prazer fazer na vida.

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Para além da primavera, quais são as tuas principais fontes de inspiração? Na verdade, encontro inspiração em tudo aquilo que me rodeia. Uma frase ouvida algures num programa de televisão, a letra de uma canção, até nas simples cores e formas dos alimentos que estou a preparar na cozinha.

Acho que é importante estar-se atento aos pequenos detalhes da vida quotidiana – por vezes nas coisas mais simples esconde-se a magia necessária para a criação. Naturalmente, tenho algumas paixões que se tornaram referências incontornáveis para o meu trabalho, como a Natureza, a astonomia, os livros, ou a anatomia. Essas paixões alimentam, por exemplo, o meu fascínio pela ilustração científica e pelas estórias de mistério e aventura, que são notas estilísticas dominantes nos meus projectos de ilustração.

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Queres falar um pouco de como nasceu a ilustração que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. A ilustração “The garden at the mad tea party” faz parte da minha série “Alice in Wonderland / Through the looking glass”, criada entre 2011 e 2012. O País das Maravilhas faz parte do meu imaginário desde criança, e acabo sempre por revisitá-lo ao longo dos tempos, de cada vez, com uma perspectiva ligeiramente diferente. Esta recriação do cenário da louca festa de chá, em que só está presente a personagem da Alice, funciona aqui como pretexto – ou cenário – para um retrato de uma Alice mais adulta, de personalidade algo blasé, com um toque de mistério.

Sempre me fascinou a forma como algumas pinturas nos seguem com o olhar, como a Gioconda. Suponho que, de cada vez que recrio uma Alice, procuro esse olhar enigmático, vagamente irónico.

Conquistados, não é? Sigam o seu trabalho pelo Facebook ou no seu site.

OBRIGADO Raquel Costa!

Marco Costa, empastes com sentido!

Como poderão ver, Marco Costa, entre outras coisas, também é artista. Embora lhe custe admitir.

De momento trabalha na indústria metalúrgica no Luxemburgo, tendo deixado em suspenso os seus estudos após o término do curso de artes visuais na escola secundária Ferreira de Castro. Gosta de ler, de fotografar, de caminhar, de conhecer…e nós suspeitamos que tem uma queda grande por cães!

O seu sonho a longo prazo é mesmo viajar pelo mundo!

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Fiquem com a entrevista:

Quando eras criança já querias ser pintor? Quando era criança gostava de ser pintor ou médico legista, curiosamente.

Apesar de seres artista a pintura não é a tua principal actividade. É uma opção ou é por força das circunstâncias? Desde há alguns anos que não pinto, talvez por força das circunstâncias e também porque sinceramente não aprecio o pouco que fiz.

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Decidiste doar duas telas à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. Que títulos têm e o que significam? Ambas as obras, como todas as outras não têm título. Decidi doá-las pois acompanho a doença e a mesma está presente na minha família. Também porque elas reflectem um pouco toda a situação para quem directa ou indirectamente vive com a doença.

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Um olhar atento e hão-de notar que a capa deste evento tem como fundo uma amostra de uma das telas doadas pelo Marco à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. É a este pretexto que abrimos uma excepção na nossa decisão de revelar as peças em exposição apenas no dia da inauguração.

OBRIGADO Marco Costa!