Costa Araújo, entre a Aguarela e o Acrílico

Nascido em Braga em 1947, Costa Araújo viveu em Angola e no Brasil quase toda a sua vida. Viveu também uns anos no Alentejo mas actualmente reside na cidade que o viu nascer.

É artista há largas décadas mas nem sempre se dedicou a tempo inteiro à pintura. O seu traço é único e reconhecível, quer estejamos perante trabalhos seus em aguarela ou acrílico.

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A sua maior fonte de inspiração é o ser humano, em toda a sua pluralidade e singularidade. A expressão de emoções é uma presença constante no seu trabalho e é na figura da mulher, que encontra a sua musa universal.

Expõe com regularidade há já vários anos, em Portugal e no Brasil. Mais recentemente, na Torre de Menagem (Braga), no Espaço Feng Shui (Braga), Galeria Magenta (Figueira da Foz), entre muitos outros.

Nem sempre trabalhaste como artista, no entanto sempre estiveste ligado ao desenho e à pintura. Podes explicar-nos de que forma? Trabalhei sempre ligado à decoração e ao desenho, fazendo projectos de decoração para grandes superfícies, lojas, boutiques…Mas sempre uma vertente artística guiava meus projectos, para lá da pintura dos antigos painéis de Cinema de grandes dimensões em que trabalhei…

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Porquê  a predilecção pela representação da figura humana nas tuas pinturas? A figura humana está sempre presente no meu trabalho e gosto de me envolver com as minha figuras e personagens. Na minha pintura também há muita influência de África e do Brasil.

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Qual o significado da pintura que doas à APDH? A obra doada está ligada aos sonhos e mistérios que muitas vezes nos envolvem…

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Não deixem de visitar a exposição e contemplar esta obra única, em tons de azul-celeste, de Costa Araújo.

E, se estão curiosos, passem pelo seu Facebook, para mais figuras humanas fantásticas!

OBRIGADO Costa Araújo!

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Helena Zália – Porque há pessoas que são para o que nascem!

Nasceu em Guimarães e, se não é o destino, hão-de ser, a força de vontade e o foco naquilo que gosta que a têm motivado a trilhar um caminho que lhe serve como uma luva! Para o bem e para o mal, nem toda a gente “é para o que nasce”, mas a Helena Zália, sem dúvida que, nasceu para criar.

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É Licenciada em Ensino de Educação Visual – Escola Superior de Educação de Leiria, em Design de Comunicação – Universidade de Aveiro e mestre em Diseño y Producción Gráfica – Universidad de Barcelona.

Ao longo dos anos tem completado a sua formação em workshop’s e acções de formação de Desenho, Pintura, Serigrafia, Fotografia, Escultura, Cerâmica, Animação, Marionetas e Ilustração.

Participou em exposições colectivas nos domínios da Pintura, Fotografia, Design e Ilustração e venceu o Prémio de Ilustração – V Concurso Literário da Trofa.

É autora das ilustrações dos contos:  Pirilampo e os deveres da escola; Andava, andava, andava … em Guimarães; Gémeos; Máquina de Sonhos.

Ainda no domínio da ilustração, participou no 1º, 3º, 5º e 7º Encontro Nacional de Ilustração de São João da Madeira, na 1a Bienal de Arte de Gaia, assim como, expõe o seu trabalho individualmente.

Dedica-se à criação de personagens tridimensionais em ligadura de gesso, desde 2003, realizando exposições das mesmas. Em 2012 criou a instalação permanente “Com os pés na terra e a cabeça nas nuvens” para o Museu do Brincar [Vagos].

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As artes, e a ilustração em particular, sempre foram um objectivo de vida? O meu interesse pelas “artes”, é muito anterior a qualquer definição de objectivos para a vida. Inicialmente foi um interesse inconsciente, sem filtros, mas muito verdadeiro. Desde que me lembro que existo que o fascínio pelas imagens está patente. A minha infância não foi pautada pela presença de pessoas ligadas ao meio artístico/criativo, nem pela presença constante de livros, no entanto, lembro-me que as reproduções de pinturas, as ilustrações das revistas de moda que a minha mãe tinha em casa, ou os desenhos animados apresentados na televisão pelo Vasco Granja exerciam sobre mim um poder inexplicável e um deslumbramento. E desde sempre senti um prazer enorme em desenhar e transformar coisas, tarefas que foram sempre alimentadas, numa primeira instância, pela minha vontade de criar e depois pela família e por alguns professores que tive ao longo do percurso escolar. A minha primeira intenção de ilustrar aconteceu quando me deparei com os livros da Anita na escola primária, e decidi eu mesma criar algo semelhante, o que se veio a revelar uma tentativa falhada e frustrante, pois os resultados não se aproximavam de todo áquelas ilustrações que eu tanto admirava. Com o passar dos anos fui adquirindo/acumulando experiências criativas, técnicas plásticas e manuais, conhecimentos acerca da história da arte e obras de artistas/autores e aguçando o meu sentido estético. Como consequência, e de uma forma muito natural surgiram projectos que me trouxeram até à ilustração e à criação de imagens. É algo muito institivo e intuitivo em mim, não há como fugir a algo tão visceral. Criar é uma necessidade.

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A par do desenho, utilizas materiais e texturas de uma forma tão orgânica que quase parece que são os teus personagens a dizer-te de que querem ser feitos. Essa é uma capacidade instintiva ou é fruto de experiência? Penso que é uma combinação de ambos. Por norma, sou uma pessoa que responde de uma forma muito instintiva aos estímulos, no entanto, a experiência, nomeadamente, no domínio da aplicação de técnicas vai ditando o caminho a seguir. Mas, tenho a consciência que as imagens crescem não só por aquilo que eu defino para elas, mas a maior parte das vezes são elas que assumem o comando das decisões. É algo que não se explica, que simplesmente acontece e eu só posso deixar fluir.

Fala-nos da ilustração que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. A ilustração em questão não foi criada em particular para esta causa, ela faz parte da série “Matriz”, e matriz é o lugar onde algo se gera ou cria. Optei por doar esta, pela mensagem de liberdade, amor, cooperação, vida, que ela transporta em si.

“Porque os homens são anjos nascidos sem asas, é o que há de mais bonito, nascer sem asas e fazê-las crescer.” José Saramago in Memorial do Convento

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Esta mensagem, “pedida emprestada” a José Saramago, estará exposta, numa ilustração de Helena Zália, no GNRation a partir do dia 10 de Outubro. Mais uma razão para estarem lá!

Para muito mais de Helena Zália, visitem o seu Facebook e site.

OBRIGADO Helena!

Ângela Oliveira – três em uma!

Ângela Oliveira nasceu e vive na cidade de Braga. Estudou Artes Visuais no ensino secundário e actualmente estuda Design Gráfico no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave.

É uma pessoa simples e reservada que se solta com momentos teatrais com amigos e familiares, admira os pequenos detalhes da natureza e as texturas criadas por marcas do tempo, no espaço.

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A cada projecto, tenta melhorar e muitas vezes é demasiado exigente com o seu próprio trabalho. Gosta de todas as formas de arte, na condição de não haver sofrimento para o homem ou para o animal.

Já participou em algumas exposições artísticas individuais e colectivas em locais como: Galeria Shair, Museu Nogueira da Silva, ATL Braga, Escola Secundária D. Maria II, associação social A.C.R.A, Parque de Exposições de Braga na Bang!!2015, espaço cultural Velha-a-Branca pela participação no projecto fotográfico Close-up, colaboração no projecto Fotografia na Rede e mais recentemente a exposição ainda em elaboração no café Mavy.

Foi também vencedora do 1º prémio da Ilustração Contemporânea Portuguesa, sob o tema “Sombras”.

Lembras-te do teu primeiro desenho ou pintura? Remexendo nas minhas primeiras memórias, não consigo encontrar o primeiro momento em que peguei no lápis e no papel, sei que foi muito cedo. Recordo-me sim de primeiros desenhos. Ainda no infantário, numa visita ao Museu Nogueira da Silva, estenderam um pano branco no chão e disseram que podíamos pintar o que quiséssemos e foi um dos melhores dias, a recordação mais feliz. Lembro-me que muitos educadores me rodearam com curiosidade pelo meu entusiasmo e me elogiaram, sei que este foi o momento que me fez continuar.

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Para além da ilustração, a tua criatividade exprime-se também na pintura e na fotografia. Qual das vertentes te dá mais prazer? É uma pergunta complexa, porque cada uma dá um gosto diferente. Foi muito difícil escolher uma única área de estudo no ensino superior, dado que sempre gostei de fazer artesanato, fotografar, pintar, ilustrar, costurar, tocar ou editar vídeos. Continuo a achar que não devemos estar limitados nem presos às vertentes que estudamos ou simplesmente àquilo que já fazemos com maior facilidade, devemos puxar por nós e fazê-lo todos os dias, sem desistir, por isso é que a área artística é tão árdua. Estamos limitados a quatro paredes a desenhar durante horas e a estudar o trabalho dos outros, o nosso próprio trabalho, para tentar encontrar a nossa diferença ou a maneira mais correta de exprimirmos aquilo que queremos dizer, mas nem sempre conseguimos.
Há um mundo por descobrir, e um “eu” por encontrar, e assim como cada material, cada técnica exprime-se de forma diferente.
Gosto de fotografar – mas não me considero fotógrafa – pequenos detalhes e texturas que encontro na rua, as ruas conseguem falar muito. E quando encontro uma luz que acho interessante, não consigo deixar de o fazer.
A pintura nasceu principalmente com a influência de Caravaggio e William Turner, dois dos meus artistas preferidos, porque para além do realismo, está presente a expressividade na luz e nas pinceladas. Com o tempo, tentei fugir ao real e comecei a ilustrar, com grande influência da cadeira de ilustração.
Cada vez mais percebo que se pode acrescentar significado a um trabalho não só pelo facto de representar o que os nossos olhos vêm diariamente.

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Fala-nos da Ilustração que doas à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? A ilustração que irei doar à APDH chama-se “Magical Feathers” e é um dos meus trabalhos mais recentes, que me deu muito gosto a pintar, experimentando a técnica digital.
Alia a força humana à animal e penso que transmite uma boa energia para esta causa.

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Outros trabalhos da Ângela, na sua página de Facebook ou Béhance.

OBRIGADO Ângela Oliveira!

Sérgio Ribeiro, graffitis e relógios de pulso, qual a ligação?

Sérgio Ribeiro nasceu em Paris em 1980. Da sua infância recorda muitas vezes as obrigatórias visitas semanais aos museus, pela mão da mãe, e as respectivas viagens de metro, onde ia sossegadinho, com o nariz colado à janela, para conseguir ver os graffitis que desfilavam a alta velocidade pelos túneis. Destas viagens ficou uma sensação de que museus eram muitas vezes um aborrecimento e de que bom era fazer aqueles desenhos proibidos nas paredes.

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Desde esse tempo muitas coisas mudaram, porém o gosto pelas artes urbanas nunca desapareceu e aprendeu a contar histórias com os desenhos e as pinturas nos muros das cidades por onde passou.

Estudou design gráfico no IPCA, onde descobriu a paixão pela ilustração, como uma forma de continuar a contar histórias com os seus desenhos e as suas pinturas.

Foi finalista do CONCURSO DE ILUSTRAÇÃO DAS FESTAS DE LISBOA, e participou na exposição colectiva correspondente.

É autor das ilustrações do livro O Caracol, com texto de Renato Roque.

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Em 2013 participou no 6º ENCONTRO INTERNACIONAL DE ILUSTRAÇÃO de São João Da Madeira, vindo a ser finalista, na edição de 2014 (7º ENCONTRO INTERNACIONAL DE ILUSTRAÇÃO de São João Da Madeira).

Actualmente trabalha na editora Paleta de Letras e prepara-se para editar o segundo livro com ilustração de sua autoria.

A sua entrevista sucinta e esclarecedora, a seguir:

Que idade tinhas quando surgiu a primeira suspeita de que farias da imaginação um modo de vida? Não me lembro exatamente, mas deve ter começado quando era muito pequeno, contam-me que estava sempre a rabiscar e desenhar relógios nos meus braços … com marcadores.

És designer de uma editora infanto-juvenil. Dado que tu próprio produzes ilustração, para quando o teu próprio livro, pela Paleta de Letras? Neste momento estou acabar o meu segundo livro “Inspira-me”, com texto de Evandro Morgado, publicado pela paleta de letras.

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O que serviu de inspiração à ilustração que doas à Associação Portuguesa de Doentes de huntington? Inspirei-me na resiliência do Dr. John Roder, um doente de huntington.

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Esta ilustração, inspirada numa história real de huntington, será revelada no dia 10 de Outubro.

Por agora espreitem o portefólio do Sérgio (aqui)

OBRIGADO Sérgio Ribeiro!

Mundos de Líria, por Susana Gouveia

Susana Gouveia nasceu em Braga, em 1977. É licenciada em Português/inglês e actualmente dá aulas de inglês numa escola de línguas na Covilhã, onde mora.

Admite que sempre gostou de artes plásticas mas nunca achou ser capaz de desenhar ou criar alguma coisa com as próprias mãos. Envolveu-se com o teatro aos 17 anos, relação que se mantém ainda hoje. Trabalhou como atriz, produtora, figurinista, assistente de cenografia, amadores, profissionais… porque quando se tem paixão na alma aprende-se um pouco de tudo.

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Passou também pela dança contemporânea na época em que estudava em Viseu, mas foi com o teatro, nos trabalhos de cenografia e construção de adereços que se apercebeu que das suas mãos podia sair alguma coisa. Infelizmente onde vive actualmente não tem acesso às formações de que gostaria, por isso vai experimentando novas técnicas e materiais. Como ela mesma diz … “por vezes corre bem outras vezes nem tanto…mas o importante é não parar e correr o risco.”

A Susana é a “dona” dos Mundos de Líria, de que nos fala a seguir. Fála-nos das suas “Lírias” e da importância dos sorrisos no conjunto dos dias:

Como foi que nasceu esta paixão por esta forma de arte? Esta paixão caiu-me nas mãos por coincidência. Fui passar uns dias a Braga e a minha irmã mostrou-me umas bonecas que começou a fazer por curiosidade, pedi-lhe para me ensinar e nunca mais parei. Inicialmente foi apenas a minha vontade de criar, de experimentar novas técnicas, novos materiais e o prazer que tinha no processo todo. Comecei a procurar inspiração em motivos portugueses, desde os trajes das nossa regiões, galos de Barcelos, azulejos, lenços dos namorados… e depois foi ganhar coragem e apresentar o meu trabalho ao púbico.

Mas contínuo sempre a procurar novas inspirações e experimentar novas técnicas. Neste momento estou a criar uma coleção de bonecas inspiradas em poetas Portugueses.

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De onde surge o nome do projecto – os Mundos de Líria? Queria um nome que levasse as pessoas para um lugar imaginário onde os sonhos crescem e ganham forma, e que de alguma maneira tivessem a sensação de algo familiar e acolhedor. Um lugar habitado pelas minhas Lírias.

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Porque decidiste fazer-te solidária com esta causa, doando uma das tuas criações à APDH? A APDH precisa dos nossos sorrisos. Eu sei o que é estar com alguém que tem uma doença de que há pouca informação, com uma doença com nome muito estranho de que nunca se tinha ouvido falar e que de repente faz parte do nosso dia a dia. Começamos a ver o mundo de uma outra maneira, curiosamente começamos a sorrir mais e a valorizar as coisas que realmente são importantes. A verdade é que ninguém sabe como será o dia de amanhã, com ou sem uma doença de nome estranho, e por vezes andamos tão centrados na rotina do trabalho, das contas para pagar… que não chegamos a ter um minuto, nos muitos minutos que o dia tem, para fazer aquilo que realmente nos dá prazer e esquecemos de viver.

Cada dia é um novo dia, cada momento é um momento inesquecível e cada gesto e cada palavra tem o seu peso. Por vezes basta um sorriso para fazer alguém feliz (neste caso uma Líria) e como ainda não cobram taxas por sorrir toca a fazer um pequeno movimento da boca, mexer alguns músculos da cara e formar um sorriso.

Sorria para si próprio quando acordar, sorria porque simplesmente hoje acordou, sorria porque tem mais um dia para viver.

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É nesta página de Facebook que as suas Lírias se mostram. Não deixem de visitar!

OBRIGADO Susana Gouveia!

“Pescada nº5” multidisciplinar e despretensiosa

Os trabalhos fotográficos presentes na exposição Huntington no GNRation são, na sua grande maioria, da autoria do Colectivo “Pescada nº5” e já acompanham a Associação Portuguesa de Doentes de Huntington desde 2011.

A entrevista “autobiográfica” que nos deram dispensa preâmbulos. Cabe-nos rir, quando nos explicam o nome que escolheram, e sorrir, quando percebemos o que os move.

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Como nasceu este colectivo de fotografia e porquê “Pescada nº5”? O nome “Pescada nº 5” resultou de uma private joke sobre presunção artística e presumidos artísticos (no Dicionário de Expressões Correntes, de Orlando Neves, edição da Editorial Notícias, refere «arrotar postas de pescada»; e «diz-se de quem se jactancia, de quem se gaba da sua importância ou riqueza») e de tantas vezes repetida acabou por ser adoptada como epítome do espírito do grupo e da sua actividade.

Trata-se em geral de acontecimentos fugazes, com duração de apenas um dia ou pouco mais, envolvendo diversas áreas, pintura, escultura, desenho, instalação, dança, teatro, música, performance, além da fotografia. Em cada projecto, depois de escolhido um tema aglutinador, presta-se especial atenção à escolha do local, escrutinando os diversos espaços da cidade, mais ou menos institucionais, enquanto espaços de arquitectura mas sobretudo enquanto lugares de contexto para os temas escolhidos.

A actividade pública, ainda apenas do núcleo restrito que daria origem ao Colectivo P5, inicia-se em 2002, Casa do Berto, exposição off da Coimbra Capital da Cultura, numa casa particular desabitada que iria ser posta à venda, a que se segue, no ano seguinte, 2003, Relógio de Sol, na Galeria Santa Clara, Coimbra, uma homenagem ao arquitecto João Paulo Conceição, autor de uma instalação temporária no Portugal dos Pequenitos.

A actividade pública torna-se mais regular a partir de 2009. Coimbra Industrial, exposição sobre a derrocada do tecido industrial da área de Coimbra, realizada na Casa da Esquina, Coimbra e Se numa noite de Inverno um Viajante, livro de Italo Calvino, evento que se inicia com uma viagem de comboio entre a estação de Coimbra A e as antigas Oficinas da CP em Coimbra B, onde esteve patente a exposição.

2010, Uma noite com Bartleby, o livro de Herman Melville, exposição que ocupou uma casa em reconstrução do início do sec XX, na Rua Visconde da Luz, e depois adaptada para o espaço ao ar livre no Pátio da Inquisição, Coimbra.

2011, Espaço InterZona, uma experiência de programação de uma sala privada numa loja alugada na Quinta da Maia, Coimbra, durante seis meses, onde foram realizadas 10 exposições com os títulos Fotografia, Geografias, Doppelganger, Dualidades, Intrazona, Imagens, A paisagem de Waddington, A surpresa dos instantes, Jamais a ordem como quem ordena, Outra zona. Ainda em 2011, O Homem na Cidade, na Cadeira de Van Gogh, Associação Cultural do Porto e Huntington no Salão, exposição de apoio à APD Huntington, no Salão Brazil, Coimbra.

2012, Espaço T5, uma nova experiência de programação, agora de todo um andar alugado em Coimbra, realizando, com base no livro O Arquipélago da Sabedoria de Alexander Moszkowski, 7 exposições, ilhas/utopias: Sarragalla, Vléha, Die Zwischen Inseln, KradaK, Helikonda, Baleuta e, a encerrar, todo o arquipélago – Die Inseln der Weisheit. Ainda em 2012, Entre o vazio e a vida, exposição no hall de entrada dos Hospitais da Universidade de Coimbra, em colaboração com o Serviço de Psiquiatria do CHUC e O livro do Fim, exposição que acompanhou o lançamento do livro de Jorge Fallorca, na Livraria Alfarrabista Adro de Baixo, Coimbra.

2013, ocupação, com grandes formatos, da fachada principal do antigo Colégio Camões, ex-ISCAC, a 16 Março, integrado no Festival de Poesia em Coimbra, Mal Dito, tendo por mote o verso Entre nós e as palavras, os emparedados (Cesariny), e em simultâneo uma versão em pequeno formato no espaço Arte à Parte, Coimbra. Ainda em 2013, 2 exposições, ambas nas antigas vacarias da Escola Superior Agrária de Coimbra: Cândido ou o optimismo, baseado no livro de Voltaire, inaugurada a 25 de Maio e fecho a 22 Junho, e, a 30 Novembro, Que culpa tem o tomate, trabalhos sobre a Escola Superior Agrária, que foram reunidos no livro Estas naturezas são impossíveis

2014, Em torno de Gerrit Komrij, uma exposição na Livraria Alfarrabista Miguel de Carvalho, a 23 de Março. O nosso dever falar (Cesariny), acção de rua na Baixa da cidade no dia 10 de Junho, com autocolantes, tarjetas, cartazes e instalações várias.

Em 2015, ocupando os jardins e a mata da Lapa dos Esteios e decorrendo durante a noite, um evento multidisciplinar tendo por mote o verso Há no bosque o combate que buscas (Ana Hatherly). Oh as casas as casas as casas, poema de Ruy Belo, exposição numa moradia devoluta, ainda parcialmente mobilada, em Coimbra.

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Quem são os pescadas? O Colectivo P5 (Pescada nº5) é um grupo informal, constituído por cidadãos na maioria moradores em Coimbra, com profissões várias, que desde 2002 se têm dedicado à fotografia com a realização de exposições públicas, gratuitas, sem fins lucrativos, totalmente suportadas pelos elementos que em cada iniciativa decidem participar.

As fotografias que participam nesta exposição já fazem parte da Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. Querem explicar como nasceu esta ligação que já se estende por três eventos de angariação de fundos? Uma conversa de café e o sentido de comunidade e solidariedade são a explicação para a pronta disponibilidade de doar trabalhos fotográficos à APDH.

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O trabalho deste colectivo pode ser consultado no blogue Pescada nº5

OBRIGADO  Pescadas!

Ana Coroas, a futura médica Ilustradora!

Nasceu em 1990 em Braga, cidade onde vive e estuda. Está na recta final do seu curso de Medicina e tem pela frente um futuro inteiro de escolhas e desafios.

Para o desenho e a ilustração, uma ocupação que vem desde que se lembra, não lhe sobra muito tempo. No entanto quando pode, dedica-lhe alguma atenção porque, embora a modéstia não a deixe dizê-lo, essa sua faceta é uma parte determinante de quem é Ana Coroas.

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Encontra no dia-a-dia, em estados anímicos e em nomes como Rebecca Dautremer, Benjamin Lacombe, Maurice Sendak, Audrey Kawasaki e James Jean, a inspiração que procura.

Apesar de não fazer da Ilustração a sua principal ocupação, conta já com um segundo prémio da Ilustração Contemporânea Portuguesa, sob o tema “Mar”.

Quando e como nasceu a tua paixão pela ilustração? Penso que tudo tenha começado com as garatujas de quem mal sabe pegar num lápis. O “como” parece-me já mais difícil de responder. Talvez tenha sido a influência do irmão, as caixas de lápis religiosamente organizadas por cores, os pormenores das ilustrações em aguarela que acompanhavam os contos tradicionais, ou as tardes na casa da avó, na altura em que o tempo e os blocos de folhas de papel pareciam infinitos.

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Podemos vir a ter uma médica ilustradora, ou será difícil conciliar estas duas actividades? Há coisas que é mais o futuro que dita, no entanto acredito que um “quê” de teimosia e determinação possam dar uma pequena ajuda. É por isso que gosto de pensar que sou teimosa o suficiente para tornar possível essa conciliação. Não assumo isso como uma tarefa fácil, mas dizem que quem corre por gosto não cansa.

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De que trata a ilustração que doas à APDH? Acredito que algumas das minhas emoções passem para o papel em que desenho mas, quem sabe por timidez, não tenho o hábito de falar sobre o significado, ou fazer uma tradução, daquilo que desenho. Gosto da ideia de que a magia da ilustração não está só nas mãos dos que a ilustram, mas também nos olhos dos que a vêem.

Queria terminar com um sincero agradecimento pelo convite para participar nesta iniciativa que junta o melhor de três mundos: a medicina, a ilustração e a solidariedade.

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Nós é que te agradecemos a generosidade Ana.

Para verem mais do seu trabalho sigam este link: http://o0luthien0o.deviantart.com/

OBRIGADO Ana Coroas!

A Terceira Dimensão na Fotografia, com Carla Gaspar

Carla Gaspar é a primeira representante da vertente fotográfica desta exposição, a ser apresentada. Cada fotografia sua requer que se interaja com o plano, para uma experiência plena. Ou não se tratasse de fotografia 3D!

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Nasceu a 23 de Agosto de 1968, em Vila Real, mas vive actualmente em Braga. Trabalha desde 1996 com Filipe Rego, sob o nome de Cíclope 3D, na produção de imagens estereoscópicas: desenho e pintura, imagens de síntese, fotografia e vídeo.

É licenciada em Educação Visual pela ESE das Caldas da Raínha exercendo docência em Arte e Tecnologias Digitais; Design Gráfico; Desenho e fotografia.

Conta com uma  exposição individual e inúmeras participações colectivas, tendo marcado presença em três das exposições periódicas mensais “be a part”, promovidas pela Shair, em Braga.

Foi desde cedo que percebeste que querias ser artista? Acho que nunca pensei nesses termos… Sempre gostei de desenhar e pintar e claro sempre soube que queria seguir um curso artístico, que frequentei desde o 9º ano até à minha licenciatura e como as artes sempre fizeram parte da minha vida, tanto a nível familiar como da maior parte dos meus amigos que estão ligados à pintura, ilustração, literatura, fotografia e etc,, essa vertente artística foi-se desenvolvendo naturalmente.

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MÃOS#1 – Fotografia estereoscópica em anáglifo (visualização 3D com óculos de filtro vermelho e cyan)

Dado que a tua actividade nas artes toca várias vertentes, desde a pintura ao ensino, de que forma é que a fotografia assumiu um papel preponderante? A minha formação profissional é de Educação Visual, o que faz com que leccione disciplinas nas áreas artísticas. De momento, com a falta de vagas em Ed. Visual, tenho leccionado outras disciplinas como  Arte e Tecnologias Digitais, Fotografia e Design Gráfico. O interesse em trabalhar em  fotografia surgiu em 1994, no meu último ano do curso, através de um professor que tive, Filipe Rego, que na altura trabalhava em desenho e fotografia estereoscópica, e me deixou fascinada com os trabalhos que fazia. Eu só tinha tido experiências estereoscópicas com os visores da View Master, postais lenticulares de imagens religiosas e com o filme “Monstro da Lagoa Negra” que passou na RTP2 na minha adolescência. Quando acabei o curso, tive a sorte desse professor me convidar para trabalhar com ele e trabalhamos juntos até hoje, sob o nome de Cíclope 3D na produção de imagens estereoscópicas: desenho e pintura, imagens de síntese, fotografia e vídeo.

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S/TÍTULO – Imagem de síntese estereoscópica (visualização 3D a 45º, com óculos de filtro vermelho e cyan)

Ciclope 3D nasce da exploração puramente estética das técnicas que utilizam ou identificaram, à priori, alguma necessidade nas industrias consumidoras das tecnologias 3D, a que decidiram dar resposta? Não, nasceu simplesmente pelo prazer de ver e criar imagens estereoscópicas.

Fala-nos da fotografia que decidiste doar à APDH. A fotografia que escolhi foi tirada em Braga em 2009. Sempre gostei muito deste “Anjo”. Já o tinha fotografado várias vezes, mesmo antes de vir para cá viver.Segundo a tradição judaico-cristã, os anjos são criaturas espirituais que servem como ajudantes ou mensageiros, e uma das suas missões é ajudar a humanidade. Por isso, achei que transmitia uma boa mensagem de Braga para a APDH, uma vez que o evento se vai realizar nesta cidade.

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O “Anjo”  é o motivo que faltava para estarem presentes no GNRation para a inauguração da Exposição. Ao colocarem os óculos 3D vão perceber a terceira dimensão do trabalho da Carla!

Para aumentar a curiosidade visitem o site e o Facebook Ciclope 3D

OBRIGADA Carla Gaspar!

Constança pura!

Constança Araújo Amador nasceu em 1984 e acredita na poesia.

E este é, talvez, o tipo de informação mais completo que se pode dar sobre um artista.

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Não obstante, o seu percurso profissional requer que se faça um, ainda que breve, resumo.
É licenciada em Artes Plásticas – Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Pós-Graduada em Gestão Cultural pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique e Mestre em Ilustração e Animação pelo Instituto Politécnico do Cávado e do Ave.

Desenvolve o seu trabalho artístico nas áreas da Pintura, do Desenho e da Ilustração. Participa em exposições individuais e colectivas desde 2006.  Orienta e realiza workshops e é directora de ilustração do Jornal Universitário do Porto (JUP).

Publicou o livro “Melancholia”, inspirado no filme homólogo de Lars Von Trier, na 14.ª edição da colecção “O Filme da Minha Vida”, pela Associação AoNorte Cineclube de Viana do Castelo e participou na edição do livro “Pelos Olhos dentro: 40 imagens de Abril”, da editora Arranha-Céus, organizada por João Paulo Cotrim. Mais recentemente fez as ilustrações do livro “Pessoas” sobre Fernando Pessoa e os seus heterónimos de Ricardo Barceló.

Quem ou qual foi a tua principal influência na escolha do teu caminho artístico? Os meus Pais, sem dúvida. Ambos são artistas plásticos, investigadores e pessoas que admiro muito. Com eles desde criança fui habituada aos ritmos e visões de cada um, visitei muita exposições e locais importantes da história da arte e tinha a liberdade como a aceitação de fazer do desenho e da pintura, a minha forma de expressão. O meu avô materno também foi importantíssimo no meu percurso artístico, com ele aprendi a observar a cadência das coisas, a ser paciente e sensível com tudo o que me rodeia.
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Porquê os pássaros, como principal tema, e a aguarela, como principal meio? Acho que o imaginário que tento transmitir é na realidade o pequeno universo que é o meu dia-a-dia — querer e estar rodeada pela Natureza. E na Natureza, os pássaros. Tenho uma ligação muito especial com os melros e com os piscos e gosto que o meu trabalho seja desta forma também auto-representativo. O que tento transmitir mais que contar histórias, é fixar momentos.

Depois, gosto do imediato na ilustração e a aguarela dá-me essa possibilidade, de poder avançar com uma ideia e torná-la num trabalho final, além de poder trabalhar melhor a mancha e as suas transparências. Mas tenho saudades de trabalhar em tela, de pintar a óleo e a acrílico. Sinto que o meu trabalho precisa de passar para um formato maior. Retomar a Pintura.Constança1

Fala-nos um pouco de como nasceu a ilustração que doaste à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. A ilustração que doei foi feita a partir de um dos meus poemas preferidos de Mário Cesariny: “Do capítulo de devolução” que diz:

No cosmos, olhar o cosmos como os que ainda podem
interrogar as ondas e morrer

Posso dizer que é um dos poucos trabalhos que ainda olho para ele e o sinto como meu. Normalmente desfaço-me emocionalmente dos trabalhos quando os acabo, como se o meu dever de ter que os ver feitos finalizasse-se com uma “pequena morte” artística. Guardo-os e depois espero que alguém goste e que queira ficar com eles.
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Cá para nós, absolutamente inspiradora! No dia da inauguração da exposição fiquem a conhecer esta ilustração tão especial de que nos fala e que nós tanto agradecemos!

Para mais Constança basta seguirem o seu Facebook, site ou tumblr

OBRIGADO, Constança!