Daniel Silvestre da Silva, detalhe e carácter

Nasceu em Lisboa em 1979. É licenciado em Artes Plásticas pela ESAD – Caldas da Rainha e Mestre em Prática e Teoria do Desenho pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP). É actualmente estudante de Doutoramento em Arte e Design na FBAUP. Desde 2010 é docente convidado na Escola de Arquitectura da Universidade do Minho e, desde 2012, na Escola Superior Artística do Porto em Guimarães. Exerce actividade de ilustrador desde 2006.

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Entre outros, ilustrou textos de Alice Vieira, Ana Saldanha, David Soares, João Pedro Mésseder, José Luís Peixoto, Sophia de Mello Breyner Andresen e Wang Suoying, para além de desenhar também noutros contextos fora área editorial.

E como se isto não bastasse dedica-se também a ensinar o desenho fora dos meios académicos. Para os apaixonados pelo desenho e ilustração, Daniel Silvestre vai lançando cursos livres de banda desenhada e desenho de observação, nas cidades de Braga e Guimarães.

A entrevista que nos concedeu é como os seus desenhos, característica e com detalhes de filigrana, ainda que em poucas palavras. Ora vejam!

Lembras-te do teu primeiro desenho? Não me lembro do primeiro desenho que fiz, mas recordo-me de algumas aprendizagens importantes: a primeira casa tridimensional, a primeira personagem com uma sombra projectada no chão, a primeira nuvem branca sobre fundo azul (em detrimento do contrário).

Quando tomaste consciência que a tua vida teria que estar ligada ao desenho, à ilustração e às artes? A prática do desenho parece-me tanto uma competência que resulta do hábito, como um hábito que resulta da competência. Transformar essa prática em profissão foi uma decisão que tenho feito à medida que o caminho se faz.

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Revela-nos um pouco do universo que te serve de inspiração. O melhor universo é sempre o nosso. Entre os escritores circula há muito a ideia de que a escrita só pode ser bem-sucedida quando o seu autor está perfeitamente inteirado do assunto de que fala – “escreve sobre o que conheces”. Para muitos ilustradores esta ideia é bastante popular também, de que apenas a observação constante (não só das formas, mas dos modos, dos hábitos, das constelações, etc.) é capaz de desenvolver um olhar, de contrariar a tendência de estarmos insistentemente a desenhar os mesmos lugares comuns.

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Queres falar um pouco da história da ilustração que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? “Dirty shoes don’t go to heaven” é uma serigrafia pertencente a um conjunto maior que ensaia diversas piadas visuais em torno dos meus sapatos. Quando a fiz agradava-me essa ideia dos sapatos como elemento autobiográfico, como com eles nos fazemos ao caminho. É curioso como incluímos sapatos em dizeres que expressam dificuldades no percurso: “ter uma pedra no sapato” ou “descalçar uma bota”.

Para mais informações e outros desenhos de tirar o fôlego, procurem-no no Facebook e consultem o seu site.

OBRIGADO Daniel Silvestre!

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