“Pescada nº5” multidisciplinar e despretensiosa

Os trabalhos fotográficos presentes na exposição Huntington no GNRation são, na sua grande maioria, da autoria do Colectivo “Pescada nº5” e já acompanham a Associação Portuguesa de Doentes de Huntington desde 2011.

A entrevista “autobiográfica” que nos deram dispensa preâmbulos. Cabe-nos rir, quando nos explicam o nome que escolheram, e sorrir, quando percebemos o que os move.

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Como nasceu este colectivo de fotografia e porquê “Pescada nº5”? O nome “Pescada nº 5” resultou de uma private joke sobre presunção artística e presumidos artísticos (no Dicionário de Expressões Correntes, de Orlando Neves, edição da Editorial Notícias, refere «arrotar postas de pescada»; e «diz-se de quem se jactancia, de quem se gaba da sua importância ou riqueza») e de tantas vezes repetida acabou por ser adoptada como epítome do espírito do grupo e da sua actividade.

Trata-se em geral de acontecimentos fugazes, com duração de apenas um dia ou pouco mais, envolvendo diversas áreas, pintura, escultura, desenho, instalação, dança, teatro, música, performance, além da fotografia. Em cada projecto, depois de escolhido um tema aglutinador, presta-se especial atenção à escolha do local, escrutinando os diversos espaços da cidade, mais ou menos institucionais, enquanto espaços de arquitectura mas sobretudo enquanto lugares de contexto para os temas escolhidos.

A actividade pública, ainda apenas do núcleo restrito que daria origem ao Colectivo P5, inicia-se em 2002, Casa do Berto, exposição off da Coimbra Capital da Cultura, numa casa particular desabitada que iria ser posta à venda, a que se segue, no ano seguinte, 2003, Relógio de Sol, na Galeria Santa Clara, Coimbra, uma homenagem ao arquitecto João Paulo Conceição, autor de uma instalação temporária no Portugal dos Pequenitos.

A actividade pública torna-se mais regular a partir de 2009. Coimbra Industrial, exposição sobre a derrocada do tecido industrial da área de Coimbra, realizada na Casa da Esquina, Coimbra e Se numa noite de Inverno um Viajante, livro de Italo Calvino, evento que se inicia com uma viagem de comboio entre a estação de Coimbra A e as antigas Oficinas da CP em Coimbra B, onde esteve patente a exposição.

2010, Uma noite com Bartleby, o livro de Herman Melville, exposição que ocupou uma casa em reconstrução do início do sec XX, na Rua Visconde da Luz, e depois adaptada para o espaço ao ar livre no Pátio da Inquisição, Coimbra.

2011, Espaço InterZona, uma experiência de programação de uma sala privada numa loja alugada na Quinta da Maia, Coimbra, durante seis meses, onde foram realizadas 10 exposições com os títulos Fotografia, Geografias, Doppelganger, Dualidades, Intrazona, Imagens, A paisagem de Waddington, A surpresa dos instantes, Jamais a ordem como quem ordena, Outra zona. Ainda em 2011, O Homem na Cidade, na Cadeira de Van Gogh, Associação Cultural do Porto e Huntington no Salão, exposição de apoio à APD Huntington, no Salão Brazil, Coimbra.

2012, Espaço T5, uma nova experiência de programação, agora de todo um andar alugado em Coimbra, realizando, com base no livro O Arquipélago da Sabedoria de Alexander Moszkowski, 7 exposições, ilhas/utopias: Sarragalla, Vléha, Die Zwischen Inseln, KradaK, Helikonda, Baleuta e, a encerrar, todo o arquipélago – Die Inseln der Weisheit. Ainda em 2012, Entre o vazio e a vida, exposição no hall de entrada dos Hospitais da Universidade de Coimbra, em colaboração com o Serviço de Psiquiatria do CHUC e O livro do Fim, exposição que acompanhou o lançamento do livro de Jorge Fallorca, na Livraria Alfarrabista Adro de Baixo, Coimbra.

2013, ocupação, com grandes formatos, da fachada principal do antigo Colégio Camões, ex-ISCAC, a 16 Março, integrado no Festival de Poesia em Coimbra, Mal Dito, tendo por mote o verso Entre nós e as palavras, os emparedados (Cesariny), e em simultâneo uma versão em pequeno formato no espaço Arte à Parte, Coimbra. Ainda em 2013, 2 exposições, ambas nas antigas vacarias da Escola Superior Agrária de Coimbra: Cândido ou o optimismo, baseado no livro de Voltaire, inaugurada a 25 de Maio e fecho a 22 Junho, e, a 30 Novembro, Que culpa tem o tomate, trabalhos sobre a Escola Superior Agrária, que foram reunidos no livro Estas naturezas são impossíveis

2014, Em torno de Gerrit Komrij, uma exposição na Livraria Alfarrabista Miguel de Carvalho, a 23 de Março. O nosso dever falar (Cesariny), acção de rua na Baixa da cidade no dia 10 de Junho, com autocolantes, tarjetas, cartazes e instalações várias.

Em 2015, ocupando os jardins e a mata da Lapa dos Esteios e decorrendo durante a noite, um evento multidisciplinar tendo por mote o verso Há no bosque o combate que buscas (Ana Hatherly). Oh as casas as casas as casas, poema de Ruy Belo, exposição numa moradia devoluta, ainda parcialmente mobilada, em Coimbra.

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Quem são os pescadas? O Colectivo P5 (Pescada nº5) é um grupo informal, constituído por cidadãos na maioria moradores em Coimbra, com profissões várias, que desde 2002 se têm dedicado à fotografia com a realização de exposições públicas, gratuitas, sem fins lucrativos, totalmente suportadas pelos elementos que em cada iniciativa decidem participar.

As fotografias que participam nesta exposição já fazem parte da Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. Querem explicar como nasceu esta ligação que já se estende por três eventos de angariação de fundos? Uma conversa de café e o sentido de comunidade e solidariedade são a explicação para a pronta disponibilidade de doar trabalhos fotográficos à APDH.

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O trabalho deste colectivo pode ser consultado no blogue Pescada nº5

OBRIGADO  Pescadas!

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A Terceira Dimensão na Fotografia, com Carla Gaspar

Carla Gaspar é a primeira representante da vertente fotográfica desta exposição, a ser apresentada. Cada fotografia sua requer que se interaja com o plano, para uma experiência plena. Ou não se tratasse de fotografia 3D!

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Nasceu a 23 de Agosto de 1968, em Vila Real, mas vive actualmente em Braga. Trabalha desde 1996 com Filipe Rego, sob o nome de Cíclope 3D, na produção de imagens estereoscópicas: desenho e pintura, imagens de síntese, fotografia e vídeo.

É licenciada em Educação Visual pela ESE das Caldas da Raínha exercendo docência em Arte e Tecnologias Digitais; Design Gráfico; Desenho e fotografia.

Conta com uma  exposição individual e inúmeras participações colectivas, tendo marcado presença em três das exposições periódicas mensais “be a part”, promovidas pela Shair, em Braga.

Foi desde cedo que percebeste que querias ser artista? Acho que nunca pensei nesses termos… Sempre gostei de desenhar e pintar e claro sempre soube que queria seguir um curso artístico, que frequentei desde o 9º ano até à minha licenciatura e como as artes sempre fizeram parte da minha vida, tanto a nível familiar como da maior parte dos meus amigos que estão ligados à pintura, ilustração, literatura, fotografia e etc,, essa vertente artística foi-se desenvolvendo naturalmente.

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MÃOS#1 – Fotografia estereoscópica em anáglifo (visualização 3D com óculos de filtro vermelho e cyan)

Dado que a tua actividade nas artes toca várias vertentes, desde a pintura ao ensino, de que forma é que a fotografia assumiu um papel preponderante? A minha formação profissional é de Educação Visual, o que faz com que leccione disciplinas nas áreas artísticas. De momento, com a falta de vagas em Ed. Visual, tenho leccionado outras disciplinas como  Arte e Tecnologias Digitais, Fotografia e Design Gráfico. O interesse em trabalhar em  fotografia surgiu em 1994, no meu último ano do curso, através de um professor que tive, Filipe Rego, que na altura trabalhava em desenho e fotografia estereoscópica, e me deixou fascinada com os trabalhos que fazia. Eu só tinha tido experiências estereoscópicas com os visores da View Master, postais lenticulares de imagens religiosas e com o filme “Monstro da Lagoa Negra” que passou na RTP2 na minha adolescência. Quando acabei o curso, tive a sorte desse professor me convidar para trabalhar com ele e trabalhamos juntos até hoje, sob o nome de Cíclope 3D na produção de imagens estereoscópicas: desenho e pintura, imagens de síntese, fotografia e vídeo.

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S/TÍTULO – Imagem de síntese estereoscópica (visualização 3D a 45º, com óculos de filtro vermelho e cyan)

Ciclope 3D nasce da exploração puramente estética das técnicas que utilizam ou identificaram, à priori, alguma necessidade nas industrias consumidoras das tecnologias 3D, a que decidiram dar resposta? Não, nasceu simplesmente pelo prazer de ver e criar imagens estereoscópicas.

Fala-nos da fotografia que decidiste doar à APDH. A fotografia que escolhi foi tirada em Braga em 2009. Sempre gostei muito deste “Anjo”. Já o tinha fotografado várias vezes, mesmo antes de vir para cá viver.Segundo a tradição judaico-cristã, os anjos são criaturas espirituais que servem como ajudantes ou mensageiros, e uma das suas missões é ajudar a humanidade. Por isso, achei que transmitia uma boa mensagem de Braga para a APDH, uma vez que o evento se vai realizar nesta cidade.

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O “Anjo”  é o motivo que faltava para estarem presentes no GNRation para a inauguração da Exposição. Ao colocarem os óculos 3D vão perceber a terceira dimensão do trabalho da Carla!

Para aumentar a curiosidade visitem o site e o Facebook Ciclope 3D

OBRIGADA Carla Gaspar!

Para que não faltem razões para aderir!

Huntington no GNRation será um evento cultural solidário que integra fotografia, ilustração e pintura, em exposição colectiva.

A exposição inaugura a 10 de Outubro, no espaço GNRation, onde permanecerá em exibição até ao dia 25 do mesmo mês.

Esta iniciativa está no seguimento das anteriores, Huntington no Salão, em Coimbra, e Huntington no Mira, no Porto, com o mesmo intuito de angariação de fundos para a Associação Portuguesa de Doentes de Huntington (APDH).

As peças de arte resultam da doação de vários artistas à APDH e o valor da sua venda reverte, na totalidade, a favor da mesma.

Trata-se, portanto, de uma iniciativa onde todos os artistas contribuem com o produto do seu trabalho e a que o espaço GNRation abre as portas. Obrigada a todos pela solidariedade!

À comunidade alargada pede-se a adesão e divulgação, para que no dia 10 de Outubro se reúna no GNRation uma pequena multidão a abraçar uma causa que tanto precisa. A consciência de que a Doença de Huntington é pouco divulgada obriga a que vos peçamos que consultem (aqui) o site da APDH, onde encontrarão informação sobre esta condição. Temos a certeza que não vão ficar indiferentes.

Nas próximas semanas vamos dar-vos a conhecer os artistas que farão parte deste evento.

Para que não faltem razões para aderir!

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