Capuccino com Marisa Silva

Marisa Silva tem uma mente inventiva e mãos de ouro, uma combinação explosiva no melhor dos sentidos!

Nasceu no Porto, onde continua a viver, e estudou arquitectura na Escola Superior Artística do Porto.

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Colabora regularmente com a Nova gente Soluções e com a MUSS Boutique, dá workshops, organiza eventos e gere página Lusty  Capuccino, dedicado a arte, design, moda e arquitectura de interiores.

Entrega-se de corpo e alma a cada projecto que desenvolve porque adora o que faz, mesmo que isso signifique não ter a estabilidade de um salário fixo. Mas quem precisa disso, quando se pode ser feliz!

Quem visita o teu blogue Lusty Capuccino descobre que a ilustração é apenas uma das tuas vertentes artísticas. Foi cedo que descobriste ser uma pessoa ultra-criativa? Desde muito cedo que o lápis e papel são a minha companhia. Aos 3 anos não queria bonecas, sempre quis lápis de cor e cadernos que preenchia avidamente. Na adolescência explorei outras áreas para além do desenho. Foi quando descobri a minha paixão pela moda, tinha gostos diferentes e, como não encontrava nada que me agradasse, comecei a desenhar roupa e a alterar minha. Mais tarde ingressei na Escola Especializada em Ensino Artístico Soares dos Reis onde desvendei o mundo da arte, acabei por me formar em arquitetura e design e continuo a aprender todos os dias.

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Foi fácil tomar a decisão de fazer das tuas paixões pela ilustração, moda e decoração o teu modo de vida? Foi tão fácil que nunca ponderei não o fazer. O que não é fácil é que se faça justiça ao valor de qualquer uma destas artes e que seja uma luta constante viver através delas.

Marisa Silva

Podes-nos falar do significado da ilustração que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? Quando recebi a proposta, fui de imediato ler sobre o assunto e vi alguns documentários que me tocaram especialmente, pela forma positiva como alguns do retratados travam batalhas diárias, mas mantêm a esperança de uma cura, de uma resposta. Vi a esperança de um sonhador no sentido altruísta, aquele que luta e que acredita, mesmo quando a ciência não dá respostas, não desistem. A imagem romântica de uma garrafa com uma mensagem que flutua no mar, remete-nos para o momento em que será encontrada pela pessoa certa. Assim como um dia a cura para os Doentes de Huntington.

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A Ilustração “Dreamer” de Marisa Silva será apresentada a todos na tarde do dia 10 de Outubro! Aparçam no GNRation!

Até lá visitem outros trabalhos seus no facebook e blogue

OBRIGADO Marisa Silva!

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Costa Araújo, entre a Aguarela e o Acrílico

Nascido em Braga em 1947, Costa Araújo viveu em Angola e no Brasil quase toda a sua vida. Viveu também uns anos no Alentejo mas actualmente reside na cidade que o viu nascer.

É artista há largas décadas mas nem sempre se dedicou a tempo inteiro à pintura. O seu traço é único e reconhecível, quer estejamos perante trabalhos seus em aguarela ou acrílico.

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A sua maior fonte de inspiração é o ser humano, em toda a sua pluralidade e singularidade. A expressão de emoções é uma presença constante no seu trabalho e é na figura da mulher, que encontra a sua musa universal.

Expõe com regularidade há já vários anos, em Portugal e no Brasil. Mais recentemente, na Torre de Menagem (Braga), no Espaço Feng Shui (Braga), Galeria Magenta (Figueira da Foz), entre muitos outros.

Nem sempre trabalhaste como artista, no entanto sempre estiveste ligado ao desenho e à pintura. Podes explicar-nos de que forma? Trabalhei sempre ligado à decoração e ao desenho, fazendo projectos de decoração para grandes superfícies, lojas, boutiques…Mas sempre uma vertente artística guiava meus projectos, para lá da pintura dos antigos painéis de Cinema de grandes dimensões em que trabalhei…

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Porquê  a predilecção pela representação da figura humana nas tuas pinturas? A figura humana está sempre presente no meu trabalho e gosto de me envolver com as minha figuras e personagens. Na minha pintura também há muita influência de África e do Brasil.

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Qual o significado da pintura que doas à APDH? A obra doada está ligada aos sonhos e mistérios que muitas vezes nos envolvem…

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Não deixem de visitar a exposição e contemplar esta obra única, em tons de azul-celeste, de Costa Araújo.

E, se estão curiosos, passem pelo seu Facebook, para mais figuras humanas fantásticas!

OBRIGADO Costa Araújo!

A Terceira Dimensão na Fotografia, com Carla Gaspar

Carla Gaspar é a primeira representante da vertente fotográfica desta exposição, a ser apresentada. Cada fotografia sua requer que se interaja com o plano, para uma experiência plena. Ou não se tratasse de fotografia 3D!

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Nasceu a 23 de Agosto de 1968, em Vila Real, mas vive actualmente em Braga. Trabalha desde 1996 com Filipe Rego, sob o nome de Cíclope 3D, na produção de imagens estereoscópicas: desenho e pintura, imagens de síntese, fotografia e vídeo.

É licenciada em Educação Visual pela ESE das Caldas da Raínha exercendo docência em Arte e Tecnologias Digitais; Design Gráfico; Desenho e fotografia.

Conta com uma  exposição individual e inúmeras participações colectivas, tendo marcado presença em três das exposições periódicas mensais “be a part”, promovidas pela Shair, em Braga.

Foi desde cedo que percebeste que querias ser artista? Acho que nunca pensei nesses termos… Sempre gostei de desenhar e pintar e claro sempre soube que queria seguir um curso artístico, que frequentei desde o 9º ano até à minha licenciatura e como as artes sempre fizeram parte da minha vida, tanto a nível familiar como da maior parte dos meus amigos que estão ligados à pintura, ilustração, literatura, fotografia e etc,, essa vertente artística foi-se desenvolvendo naturalmente.

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MÃOS#1 – Fotografia estereoscópica em anáglifo (visualização 3D com óculos de filtro vermelho e cyan)

Dado que a tua actividade nas artes toca várias vertentes, desde a pintura ao ensino, de que forma é que a fotografia assumiu um papel preponderante? A minha formação profissional é de Educação Visual, o que faz com que leccione disciplinas nas áreas artísticas. De momento, com a falta de vagas em Ed. Visual, tenho leccionado outras disciplinas como  Arte e Tecnologias Digitais, Fotografia e Design Gráfico. O interesse em trabalhar em  fotografia surgiu em 1994, no meu último ano do curso, através de um professor que tive, Filipe Rego, que na altura trabalhava em desenho e fotografia estereoscópica, e me deixou fascinada com os trabalhos que fazia. Eu só tinha tido experiências estereoscópicas com os visores da View Master, postais lenticulares de imagens religiosas e com o filme “Monstro da Lagoa Negra” que passou na RTP2 na minha adolescência. Quando acabei o curso, tive a sorte desse professor me convidar para trabalhar com ele e trabalhamos juntos até hoje, sob o nome de Cíclope 3D na produção de imagens estereoscópicas: desenho e pintura, imagens de síntese, fotografia e vídeo.

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S/TÍTULO – Imagem de síntese estereoscópica (visualização 3D a 45º, com óculos de filtro vermelho e cyan)

Ciclope 3D nasce da exploração puramente estética das técnicas que utilizam ou identificaram, à priori, alguma necessidade nas industrias consumidoras das tecnologias 3D, a que decidiram dar resposta? Não, nasceu simplesmente pelo prazer de ver e criar imagens estereoscópicas.

Fala-nos da fotografia que decidiste doar à APDH. A fotografia que escolhi foi tirada em Braga em 2009. Sempre gostei muito deste “Anjo”. Já o tinha fotografado várias vezes, mesmo antes de vir para cá viver.Segundo a tradição judaico-cristã, os anjos são criaturas espirituais que servem como ajudantes ou mensageiros, e uma das suas missões é ajudar a humanidade. Por isso, achei que transmitia uma boa mensagem de Braga para a APDH, uma vez que o evento se vai realizar nesta cidade.

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O “Anjo”  é o motivo que faltava para estarem presentes no GNRation para a inauguração da Exposição. Ao colocarem os óculos 3D vão perceber a terceira dimensão do trabalho da Carla!

Para aumentar a curiosidade visitem o site e o Facebook Ciclope 3D

OBRIGADA Carla Gaspar!

Constança pura!

Constança Araújo Amador nasceu em 1984 e acredita na poesia.

E este é, talvez, o tipo de informação mais completo que se pode dar sobre um artista.

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Não obstante, o seu percurso profissional requer que se faça um, ainda que breve, resumo.
É licenciada em Artes Plásticas – Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Pós-Graduada em Gestão Cultural pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique e Mestre em Ilustração e Animação pelo Instituto Politécnico do Cávado e do Ave.

Desenvolve o seu trabalho artístico nas áreas da Pintura, do Desenho e da Ilustração. Participa em exposições individuais e colectivas desde 2006.  Orienta e realiza workshops e é directora de ilustração do Jornal Universitário do Porto (JUP).

Publicou o livro “Melancholia”, inspirado no filme homólogo de Lars Von Trier, na 14.ª edição da colecção “O Filme da Minha Vida”, pela Associação AoNorte Cineclube de Viana do Castelo e participou na edição do livro “Pelos Olhos dentro: 40 imagens de Abril”, da editora Arranha-Céus, organizada por João Paulo Cotrim. Mais recentemente fez as ilustrações do livro “Pessoas” sobre Fernando Pessoa e os seus heterónimos de Ricardo Barceló.

Quem ou qual foi a tua principal influência na escolha do teu caminho artístico? Os meus Pais, sem dúvida. Ambos são artistas plásticos, investigadores e pessoas que admiro muito. Com eles desde criança fui habituada aos ritmos e visões de cada um, visitei muita exposições e locais importantes da história da arte e tinha a liberdade como a aceitação de fazer do desenho e da pintura, a minha forma de expressão. O meu avô materno também foi importantíssimo no meu percurso artístico, com ele aprendi a observar a cadência das coisas, a ser paciente e sensível com tudo o que me rodeia.
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Porquê os pássaros, como principal tema, e a aguarela, como principal meio? Acho que o imaginário que tento transmitir é na realidade o pequeno universo que é o meu dia-a-dia — querer e estar rodeada pela Natureza. E na Natureza, os pássaros. Tenho uma ligação muito especial com os melros e com os piscos e gosto que o meu trabalho seja desta forma também auto-representativo. O que tento transmitir mais que contar histórias, é fixar momentos.

Depois, gosto do imediato na ilustração e a aguarela dá-me essa possibilidade, de poder avançar com uma ideia e torná-la num trabalho final, além de poder trabalhar melhor a mancha e as suas transparências. Mas tenho saudades de trabalhar em tela, de pintar a óleo e a acrílico. Sinto que o meu trabalho precisa de passar para um formato maior. Retomar a Pintura.Constança1

Fala-nos um pouco de como nasceu a ilustração que doaste à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. A ilustração que doei foi feita a partir de um dos meus poemas preferidos de Mário Cesariny: “Do capítulo de devolução” que diz:

No cosmos, olhar o cosmos como os que ainda podem
interrogar as ondas e morrer

Posso dizer que é um dos poucos trabalhos que ainda olho para ele e o sinto como meu. Normalmente desfaço-me emocionalmente dos trabalhos quando os acabo, como se o meu dever de ter que os ver feitos finalizasse-se com uma “pequena morte” artística. Guardo-os e depois espero que alguém goste e que queira ficar com eles.
………

Cá para nós, absolutamente inspiradora! No dia da inauguração da exposição fiquem a conhecer esta ilustração tão especial de que nos fala e que nós tanto agradecemos!

Para mais Constança basta seguirem o seu Facebook, site ou tumblr

OBRIGADO, Constança!

Paisagens abstratas, por Teresa Vilar

Teresa Vilar licenciou-se em Design/ Artes Gráficas pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, em 1989.

Desde então, dedica-se ao ensino no 3º ciclo, em Braga, na Área de Expressões, desenvolvendo, paralelamente, produções gráficas no contexto da vivência da Comunidade Escolar e projectos artísticos experimentais.

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O seu percurso na pintura é longo e consistente, tendo-se iniciado mesmo antes da conclusão da licenciatura. Desde 1986 que expõe individualmente e em participações colectivas, quer em Portugal quer em Espanha.

A pintura é uma paixão que vem de criança ou desenvolveu-se durante o curso na faculdade de Belas Artes? A minha paixão pela ​pintura, e arte em geral, começou em tenra idade. Tudo aquilo que fosse possível eu criar e desenvolver de forma diferente do comum, sendo original, ​era motivo de entusiasmo para mim.

E, na minha juventude, as  Belas Artes constituíam,​ na minha perspectiva, o lugar onde tudo isso era possível.

Por isso, eram o meu sonho e aí me formei em Design / Artes Gráficas. A par da minha actividade profissional como professora da área de Artes, a pintura esteve sempre presente na minha vida.

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E a pintura abstrata tão característica da Teresa Vilar​, que técnicas utilizas para a desenvolver? A pintura abstrata só se torna mais evidente no meu percurso após a minha formação nas Belas-Artes. Fiquei, por assim dizer, “cansada” de desenhar o real/ concreto, pois havia todo um universo pictórico mais alargado que me interessava explorar, construído muito mais na base das emoções, sensações, sugestões, sonhos, ou seja, toda uma representação de conceitos e ideias mais abstratas, num reflexo daquilo que queria exteriorizar. Por isso, tento tirar o máximo partido de cada técnica para potencializar o registo de conceitos e paisagens abstractas, de uma forma muito diversa.

No passado utilizei muito aguarela, óleo, pastel seco e pastel de óleo; o acrílico foi e continua a ser uma técnica que gosto de desenvolver, bem como soluções mistas e outras mais recentes como são a técnica de encáustica e a técnica de vidro  frio. No fundo, eu adapto-me às técnicas e adapto-as ao meu registo pessoal.

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Como nasceu a tela que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? ​O quadro “Regata na ria” está relacionado com momentos de observação da ria e do movimento enérgico das manhãs, ao nascer-do-sol, ou das tardes, com o pôr-do-sol.

Esta escolha para doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington, resulta da intenção de partilhar estas impressões sobre esses lugares e momentos pessoais que me trazem ora energia, ora tranquilidade, e assim serem também inspiração para se viver a vida o melhor possível.

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Ficarão a conhecer o quadro “Regata na ria” durante a inauguração da exposição colectiva, durante a tarde do dia 10 de Outubro, na galeria CMB do espaço GNRation. Até lá, vão seguindo notícias sobre o trabalho de Teresa Vilar, no seu site.

OBRIGADO Teresa Vilar!

Carlos Teixeira, o pintor de expressões

Carlos Teixeira é natural de Angola, filho de pais portugueses, mas desde os 4 anos que reside em Braga. Carlos T (assim assina os seus trabalhos) possui uma aguçada sensibilidade artística, pintando em todos os estilos de acordo com as emoções do momento.

O seu trabalho tem sido amplamente exposto em Portugal, Espanha e França. De todas as suas vertentes, a sua série de telas “EXPRESSÕES COLORIDAS” é, talvez, a que mais impacto provoca em quem observa. Nesta série retrata gente sem-abrigo, de uma maneira peculiar e eficaz. A cor e contraste que emprega, obrigam-nos a encarar de frente rostos pertencentes a uma realidade que diariamente tentamos fingir que não existe.

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A suas palavras, a seguir:

Os teus retratos são uma das tuas imagens de marca. A utilização e cores fortes é propositada ou surgiu por experiência e ficou? A utilização das cores fortes foi propositada para ir de encontro com o tema “Expressões Coloridas”. Este trabalho onde retratei rostos de sem abrigos, utilizei as cores fortes para ressaltar o passado que cada um traz reflectido em sua expressão.IMG_0681 De tudo o que fazes o que te dá mais gosto? Abstractos, retrato, paisagens?…Cada trabalho para mim é único, pinto em todos os estilos de acordo com as emoções do momento.

Fala-nos da tela que doas à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. Primeiramente gostaria de agradecer o convite de participar deste evento e de fazer a doação de uma obra minha. Fagulha Cósmica é o nome da obra que busca na menor percepção que seja, a presença de uma energia infinita, que leva a uma grande compreensão interior e gera um processo alquímico na Alma Humana.

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Para mais do seu trabalho consultem a sua página de Facebook.

OBRIGADO Carlos T !

Sandra Sofia Santos, quando a timidez se põe a desenhar!

Nascida em 1989 na própria cidade berço, onde continua a viver, Sandra Sofia Santos promete, com o seu universal ar doce, dizer o mundo todo quase sem falar. As suas ilustrações são um modo muito próprio de “dizer intensamente” e com muita da doçura da autora.

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É licenciada em Design Gráfico pelo Instituto Politécnico do Cávado e do Ave e conta já com algumas distinções como ilustradora, nomeadamente: o segundo lugar do concurso Etic Ilustra Mar, o primeiro lugar no concurso da Ilustração Contemporânea Portuguesa e a selecção como finalista do 7º Encontro Internacional de Ilustração de S. João da Madeira.

É obrigatório ler a entrevista que nos deu!

Descreve-nos o primeiro desenho que te lembras de ter feito. Que idade tinhas? Não consigo responder concretamente a esta pergunta porque sinceramente não me lembro. Costumo dizer que nasci bicho-do-mato, era e ainda sou muito introvertida, sempre tive uma grande tendência a saltar da realidade e afogar-me num mundo só meu, isso fazia com que durante a infância não tivesse muitos amigos e então desenhava muito, era algo que me fazia feliz.

O que é que te apaixona na ilustração, que faz com que queiras seguir este caminho profissionalmente? Por vários motivos desviei-me deste caminho durante muito tempo, mas agora em retrospectiva penso que era impossível permanecer adormecida esta paixão, é quase uma força de atracção que nunca me deixou e com o passar dos anos foi ganhando cada vez mais força, inconscientemente, indirecta ou directamente sinto que todos os caminhos escolhidos foram com o desígnio de chegar a este momento. Apesar do exterior sereno, no interior estou constantemente em turbilhão, e penso que sempre foi assim, e o acto de ilustrar traz-me paz, o expressar de pensamentos e emoções que de outra forma não consigo exteriorizar. Apaixona-me imaginar estórias, e contá-las desenhando, é o meu raio de liberdade.

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Os teus personagens partilham características estéticas inequivocamente tuas. É uma escolha racional ou acontecem-te assim, como são, enquanto as desenhas? Esta pergunta é em si mesma também um grande elogio, obrigada! Penso que ainda não está terminada a luta nem sempre fácil de tentar “descascar” as camadas até chegar à minha verdadeira essência que me permitirá chegar à linguagem que possa chamar MINHA, mas sinto que a cada trabalho estou mais perto… Algumas características são, tomadas de decisão conscientes mas de uma forma geral são intuitivas, quase primitivas, sinto que este ou aquele elemento precisa existir para fazer sentido, para enfatizar o que quero transmitir e para ser um reflexo de mim.

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Fala-nos da ilustração que doas à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. Poucas são as memórias descritivas ou os conceitos meus que existam detalhados, não gosto de os fechar, prefiro que fique susceptível à interpretação de cada um permitindo-lhes ter diferentes narrativas, mas todos os trabalhos acabam por terem pontos em comum, as principais influências são as emoções, pensamentos e estórias, reais ou fictícias que quero transmitir, aspectos e ironias da vida quotidiana e do ser humano, o SER pessoa, e com grande predominância a Natureza, as plantas, as árvores, os animais…

Apetece ver mais, não é? Sigam o link https://www.behance.net/ssofiasantos

OBRIGADO Sandra Sofia Santos!

Marco Costa, empastes com sentido!

Como poderão ver, Marco Costa, entre outras coisas, também é artista. Embora lhe custe admitir.

De momento trabalha na indústria metalúrgica no Luxemburgo, tendo deixado em suspenso os seus estudos após o término do curso de artes visuais na escola secundária Ferreira de Castro. Gosta de ler, de fotografar, de caminhar, de conhecer…e nós suspeitamos que tem uma queda grande por cães!

O seu sonho a longo prazo é mesmo viajar pelo mundo!

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Fiquem com a entrevista:

Quando eras criança já querias ser pintor? Quando era criança gostava de ser pintor ou médico legista, curiosamente.

Apesar de seres artista a pintura não é a tua principal actividade. É uma opção ou é por força das circunstâncias? Desde há alguns anos que não pinto, talvez por força das circunstâncias e também porque sinceramente não aprecio o pouco que fiz.

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Decidiste doar duas telas à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. Que títulos têm e o que significam? Ambas as obras, como todas as outras não têm título. Decidi doá-las pois acompanho a doença e a mesma está presente na minha família. Também porque elas reflectem um pouco toda a situação para quem directa ou indirectamente vive com a doença.

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Um olhar atento e hão-de notar que a capa deste evento tem como fundo uma amostra de uma das telas doadas pelo Marco à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. É a este pretexto que abrimos uma excepção na nossa decisão de revelar as peças em exposição apenas no dia da inauguração.

OBRIGADO Marco Costa!

Os espaços magnéticos de Ângela Vieira!

Ângela trabalha como ilustradora freelancer tendo colaborado com várias editoras, sobretudo na área da ilustração infantil. Mas não é a única vertente em que aplica o seu trabalho. A última foto aqui publicada é exemplo disso. Trata-se de um mural que idealizou e concretizou em 2013 no GNRation.

É uma arquitecta tornada ilustradora, e ainda bem, senão hoje não podíamos comprar pão porque nas suas cidades não há padarias!… – Palavras da própria!

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A seguir conta-nos uns segredos, ora vejam:

Sabemos que tens formação em arquitectura. Como foi que decidiste enveredar pela ilustração? A decisão de enveredar pela ilustração foi tomada de uma forma espontânea. Até ter terminado o curso de Arquitectura nunca tinha pensado na possibilidade ser ilustradora. Senti que tinha necessidade de explorar e criar diferentes mundos, e que através da Arquitectura isso não era possível. Precisava de ter uma relação de maior intimidade entre o produto final e o processo de criação. Sem grandes planeamentos e sem expectativas, decidi criar um portfolio de ilustração e enviá-lo a diferentes editoras. A partir daqui consegui os meus primeiros trabalhos que me fizeram repensar na carreira que eu deveria investir, e hoje não me imagino a fazer outro trabalho.

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As tuas ilustrações parecem arrastar-nos para dentro delas. E quase sempre isso se deve às envolventes arquitectónicas. O que te leva a desenhá-las dessa forma? Aquilo que geralmente represento num desenho é apenas uma pequena parte, um momento congelado, de um mundo muito mais vasto, dinâmico e complexo. Na minha imaginação, eu estou sempre dentro desses espaços, estou a vivê-los. Por essa razão, gosto de utilizar este género de perspectiva para criar a ilusão de que conseguimos entrar nesse espaço, que podemos absorver todas a informação desse ambiente.

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Fala-nos um pouco sobre o significado da ilustração que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington ? Esta ilustração fez parte de um trabalho que fiz para a Casa Rolão em Braga. É uma perspectiva alterada de um espaço interior dessa casa. Quando estava a fazer esta ilustração, através da luz e da perspectiva, queria transmitir o sentimento de elevação, de uma fénix a renascer das cinzas. Por isso, quando fui contactada para participar neste projecto, decidi que esta era a melhor imagem para doar à Associação.

Não deixem de visitar o Facebook e o site da Ângela Vieira que é, ele mesmo, um mundo cheio de recantos ilustrados por explorar!

OBRIGADO  Ângela Vieira