Capuccino com Marisa Silva

Marisa Silva tem uma mente inventiva e mãos de ouro, uma combinação explosiva no melhor dos sentidos!

Nasceu no Porto, onde continua a viver, e estudou arquitectura na Escola Superior Artística do Porto.

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Colabora regularmente com a Nova gente Soluções e com a MUSS Boutique, dá workshops, organiza eventos e gere página Lusty  Capuccino, dedicado a arte, design, moda e arquitectura de interiores.

Entrega-se de corpo e alma a cada projecto que desenvolve porque adora o que faz, mesmo que isso signifique não ter a estabilidade de um salário fixo. Mas quem precisa disso, quando se pode ser feliz!

Quem visita o teu blogue Lusty Capuccino descobre que a ilustração é apenas uma das tuas vertentes artísticas. Foi cedo que descobriste ser uma pessoa ultra-criativa? Desde muito cedo que o lápis e papel são a minha companhia. Aos 3 anos não queria bonecas, sempre quis lápis de cor e cadernos que preenchia avidamente. Na adolescência explorei outras áreas para além do desenho. Foi quando descobri a minha paixão pela moda, tinha gostos diferentes e, como não encontrava nada que me agradasse, comecei a desenhar roupa e a alterar minha. Mais tarde ingressei na Escola Especializada em Ensino Artístico Soares dos Reis onde desvendei o mundo da arte, acabei por me formar em arquitetura e design e continuo a aprender todos os dias.

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Foi fácil tomar a decisão de fazer das tuas paixões pela ilustração, moda e decoração o teu modo de vida? Foi tão fácil que nunca ponderei não o fazer. O que não é fácil é que se faça justiça ao valor de qualquer uma destas artes e que seja uma luta constante viver através delas.

Marisa Silva

Podes-nos falar do significado da ilustração que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? Quando recebi a proposta, fui de imediato ler sobre o assunto e vi alguns documentários que me tocaram especialmente, pela forma positiva como alguns do retratados travam batalhas diárias, mas mantêm a esperança de uma cura, de uma resposta. Vi a esperança de um sonhador no sentido altruísta, aquele que luta e que acredita, mesmo quando a ciência não dá respostas, não desistem. A imagem romântica de uma garrafa com uma mensagem que flutua no mar, remete-nos para o momento em que será encontrada pela pessoa certa. Assim como um dia a cura para os Doentes de Huntington.

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A Ilustração “Dreamer” de Marisa Silva será apresentada a todos na tarde do dia 10 de Outubro! Aparçam no GNRation!

Até lá visitem outros trabalhos seus no facebook e blogue

OBRIGADO Marisa Silva!

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Helena Zália – Porque há pessoas que são para o que nascem!

Nasceu em Guimarães e, se não é o destino, hão-de ser, a força de vontade e o foco naquilo que gosta que a têm motivado a trilhar um caminho que lhe serve como uma luva! Para o bem e para o mal, nem toda a gente “é para o que nasce”, mas a Helena Zália, sem dúvida que, nasceu para criar.

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É Licenciada em Ensino de Educação Visual – Escola Superior de Educação de Leiria, em Design de Comunicação – Universidade de Aveiro e mestre em Diseño y Producción Gráfica – Universidad de Barcelona.

Ao longo dos anos tem completado a sua formação em workshop’s e acções de formação de Desenho, Pintura, Serigrafia, Fotografia, Escultura, Cerâmica, Animação, Marionetas e Ilustração.

Participou em exposições colectivas nos domínios da Pintura, Fotografia, Design e Ilustração e venceu o Prémio de Ilustração – V Concurso Literário da Trofa.

É autora das ilustrações dos contos:  Pirilampo e os deveres da escola; Andava, andava, andava … em Guimarães; Gémeos; Máquina de Sonhos.

Ainda no domínio da ilustração, participou no 1º, 3º, 5º e 7º Encontro Nacional de Ilustração de São João da Madeira, na 1a Bienal de Arte de Gaia, assim como, expõe o seu trabalho individualmente.

Dedica-se à criação de personagens tridimensionais em ligadura de gesso, desde 2003, realizando exposições das mesmas. Em 2012 criou a instalação permanente “Com os pés na terra e a cabeça nas nuvens” para o Museu do Brincar [Vagos].

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As artes, e a ilustração em particular, sempre foram um objectivo de vida? O meu interesse pelas “artes”, é muito anterior a qualquer definição de objectivos para a vida. Inicialmente foi um interesse inconsciente, sem filtros, mas muito verdadeiro. Desde que me lembro que existo que o fascínio pelas imagens está patente. A minha infância não foi pautada pela presença de pessoas ligadas ao meio artístico/criativo, nem pela presença constante de livros, no entanto, lembro-me que as reproduções de pinturas, as ilustrações das revistas de moda que a minha mãe tinha em casa, ou os desenhos animados apresentados na televisão pelo Vasco Granja exerciam sobre mim um poder inexplicável e um deslumbramento. E desde sempre senti um prazer enorme em desenhar e transformar coisas, tarefas que foram sempre alimentadas, numa primeira instância, pela minha vontade de criar e depois pela família e por alguns professores que tive ao longo do percurso escolar. A minha primeira intenção de ilustrar aconteceu quando me deparei com os livros da Anita na escola primária, e decidi eu mesma criar algo semelhante, o que se veio a revelar uma tentativa falhada e frustrante, pois os resultados não se aproximavam de todo áquelas ilustrações que eu tanto admirava. Com o passar dos anos fui adquirindo/acumulando experiências criativas, técnicas plásticas e manuais, conhecimentos acerca da história da arte e obras de artistas/autores e aguçando o meu sentido estético. Como consequência, e de uma forma muito natural surgiram projectos que me trouxeram até à ilustração e à criação de imagens. É algo muito institivo e intuitivo em mim, não há como fugir a algo tão visceral. Criar é uma necessidade.

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A par do desenho, utilizas materiais e texturas de uma forma tão orgânica que quase parece que são os teus personagens a dizer-te de que querem ser feitos. Essa é uma capacidade instintiva ou é fruto de experiência? Penso que é uma combinação de ambos. Por norma, sou uma pessoa que responde de uma forma muito instintiva aos estímulos, no entanto, a experiência, nomeadamente, no domínio da aplicação de técnicas vai ditando o caminho a seguir. Mas, tenho a consciência que as imagens crescem não só por aquilo que eu defino para elas, mas a maior parte das vezes são elas que assumem o comando das decisões. É algo que não se explica, que simplesmente acontece e eu só posso deixar fluir.

Fala-nos da ilustração que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. A ilustração em questão não foi criada em particular para esta causa, ela faz parte da série “Matriz”, e matriz é o lugar onde algo se gera ou cria. Optei por doar esta, pela mensagem de liberdade, amor, cooperação, vida, que ela transporta em si.

“Porque os homens são anjos nascidos sem asas, é o que há de mais bonito, nascer sem asas e fazê-las crescer.” José Saramago in Memorial do Convento

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Esta mensagem, “pedida emprestada” a José Saramago, estará exposta, numa ilustração de Helena Zália, no GNRation a partir do dia 10 de Outubro. Mais uma razão para estarem lá!

Para muito mais de Helena Zália, visitem o seu Facebook e site.

OBRIGADO Helena!

Ângela Oliveira – três em uma!

Ângela Oliveira nasceu e vive na cidade de Braga. Estudou Artes Visuais no ensino secundário e actualmente estuda Design Gráfico no Instituto Politécnico do Cávado e do Ave.

É uma pessoa simples e reservada que se solta com momentos teatrais com amigos e familiares, admira os pequenos detalhes da natureza e as texturas criadas por marcas do tempo, no espaço.

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A cada projecto, tenta melhorar e muitas vezes é demasiado exigente com o seu próprio trabalho. Gosta de todas as formas de arte, na condição de não haver sofrimento para o homem ou para o animal.

Já participou em algumas exposições artísticas individuais e colectivas em locais como: Galeria Shair, Museu Nogueira da Silva, ATL Braga, Escola Secundária D. Maria II, associação social A.C.R.A, Parque de Exposições de Braga na Bang!!2015, espaço cultural Velha-a-Branca pela participação no projecto fotográfico Close-up, colaboração no projecto Fotografia na Rede e mais recentemente a exposição ainda em elaboração no café Mavy.

Foi também vencedora do 1º prémio da Ilustração Contemporânea Portuguesa, sob o tema “Sombras”.

Lembras-te do teu primeiro desenho ou pintura? Remexendo nas minhas primeiras memórias, não consigo encontrar o primeiro momento em que peguei no lápis e no papel, sei que foi muito cedo. Recordo-me sim de primeiros desenhos. Ainda no infantário, numa visita ao Museu Nogueira da Silva, estenderam um pano branco no chão e disseram que podíamos pintar o que quiséssemos e foi um dos melhores dias, a recordação mais feliz. Lembro-me que muitos educadores me rodearam com curiosidade pelo meu entusiasmo e me elogiaram, sei que este foi o momento que me fez continuar.

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Para além da ilustração, a tua criatividade exprime-se também na pintura e na fotografia. Qual das vertentes te dá mais prazer? É uma pergunta complexa, porque cada uma dá um gosto diferente. Foi muito difícil escolher uma única área de estudo no ensino superior, dado que sempre gostei de fazer artesanato, fotografar, pintar, ilustrar, costurar, tocar ou editar vídeos. Continuo a achar que não devemos estar limitados nem presos às vertentes que estudamos ou simplesmente àquilo que já fazemos com maior facilidade, devemos puxar por nós e fazê-lo todos os dias, sem desistir, por isso é que a área artística é tão árdua. Estamos limitados a quatro paredes a desenhar durante horas e a estudar o trabalho dos outros, o nosso próprio trabalho, para tentar encontrar a nossa diferença ou a maneira mais correta de exprimirmos aquilo que queremos dizer, mas nem sempre conseguimos.
Há um mundo por descobrir, e um “eu” por encontrar, e assim como cada material, cada técnica exprime-se de forma diferente.
Gosto de fotografar – mas não me considero fotógrafa – pequenos detalhes e texturas que encontro na rua, as ruas conseguem falar muito. E quando encontro uma luz que acho interessante, não consigo deixar de o fazer.
A pintura nasceu principalmente com a influência de Caravaggio e William Turner, dois dos meus artistas preferidos, porque para além do realismo, está presente a expressividade na luz e nas pinceladas. Com o tempo, tentei fugir ao real e comecei a ilustrar, com grande influência da cadeira de ilustração.
Cada vez mais percebo que se pode acrescentar significado a um trabalho não só pelo facto de representar o que os nossos olhos vêm diariamente.

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Fala-nos da Ilustração que doas à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? A ilustração que irei doar à APDH chama-se “Magical Feathers” e é um dos meus trabalhos mais recentes, que me deu muito gosto a pintar, experimentando a técnica digital.
Alia a força humana à animal e penso que transmite uma boa energia para esta causa.

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Outros trabalhos da Ângela, na sua página de Facebook ou Béhance.

OBRIGADO Ângela Oliveira!

Sérgio Ribeiro, graffitis e relógios de pulso, qual a ligação?

Sérgio Ribeiro nasceu em Paris em 1980. Da sua infância recorda muitas vezes as obrigatórias visitas semanais aos museus, pela mão da mãe, e as respectivas viagens de metro, onde ia sossegadinho, com o nariz colado à janela, para conseguir ver os graffitis que desfilavam a alta velocidade pelos túneis. Destas viagens ficou uma sensação de que museus eram muitas vezes um aborrecimento e de que bom era fazer aqueles desenhos proibidos nas paredes.

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Desde esse tempo muitas coisas mudaram, porém o gosto pelas artes urbanas nunca desapareceu e aprendeu a contar histórias com os desenhos e as pinturas nos muros das cidades por onde passou.

Estudou design gráfico no IPCA, onde descobriu a paixão pela ilustração, como uma forma de continuar a contar histórias com os seus desenhos e as suas pinturas.

Foi finalista do CONCURSO DE ILUSTRAÇÃO DAS FESTAS DE LISBOA, e participou na exposição colectiva correspondente.

É autor das ilustrações do livro O Caracol, com texto de Renato Roque.

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Em 2013 participou no 6º ENCONTRO INTERNACIONAL DE ILUSTRAÇÃO de São João Da Madeira, vindo a ser finalista, na edição de 2014 (7º ENCONTRO INTERNACIONAL DE ILUSTRAÇÃO de São João Da Madeira).

Actualmente trabalha na editora Paleta de Letras e prepara-se para editar o segundo livro com ilustração de sua autoria.

A sua entrevista sucinta e esclarecedora, a seguir:

Que idade tinhas quando surgiu a primeira suspeita de que farias da imaginação um modo de vida? Não me lembro exatamente, mas deve ter começado quando era muito pequeno, contam-me que estava sempre a rabiscar e desenhar relógios nos meus braços … com marcadores.

És designer de uma editora infanto-juvenil. Dado que tu próprio produzes ilustração, para quando o teu próprio livro, pela Paleta de Letras? Neste momento estou acabar o meu segundo livro “Inspira-me”, com texto de Evandro Morgado, publicado pela paleta de letras.

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O que serviu de inspiração à ilustração que doas à Associação Portuguesa de Doentes de huntington? Inspirei-me na resiliência do Dr. John Roder, um doente de huntington.

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Esta ilustração, inspirada numa história real de huntington, será revelada no dia 10 de Outubro.

Por agora espreitem o portefólio do Sérgio (aqui)

OBRIGADO Sérgio Ribeiro!

Ana Coroas, a futura médica Ilustradora!

Nasceu em 1990 em Braga, cidade onde vive e estuda. Está na recta final do seu curso de Medicina e tem pela frente um futuro inteiro de escolhas e desafios.

Para o desenho e a ilustração, uma ocupação que vem desde que se lembra, não lhe sobra muito tempo. No entanto quando pode, dedica-lhe alguma atenção porque, embora a modéstia não a deixe dizê-lo, essa sua faceta é uma parte determinante de quem é Ana Coroas.

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Encontra no dia-a-dia, em estados anímicos e em nomes como Rebecca Dautremer, Benjamin Lacombe, Maurice Sendak, Audrey Kawasaki e James Jean, a inspiração que procura.

Apesar de não fazer da Ilustração a sua principal ocupação, conta já com um segundo prémio da Ilustração Contemporânea Portuguesa, sob o tema “Mar”.

Quando e como nasceu a tua paixão pela ilustração? Penso que tudo tenha começado com as garatujas de quem mal sabe pegar num lápis. O “como” parece-me já mais difícil de responder. Talvez tenha sido a influência do irmão, as caixas de lápis religiosamente organizadas por cores, os pormenores das ilustrações em aguarela que acompanhavam os contos tradicionais, ou as tardes na casa da avó, na altura em que o tempo e os blocos de folhas de papel pareciam infinitos.

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Podemos vir a ter uma médica ilustradora, ou será difícil conciliar estas duas actividades? Há coisas que é mais o futuro que dita, no entanto acredito que um “quê” de teimosia e determinação possam dar uma pequena ajuda. É por isso que gosto de pensar que sou teimosa o suficiente para tornar possível essa conciliação. Não assumo isso como uma tarefa fácil, mas dizem que quem corre por gosto não cansa.

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De que trata a ilustração que doas à APDH? Acredito que algumas das minhas emoções passem para o papel em que desenho mas, quem sabe por timidez, não tenho o hábito de falar sobre o significado, ou fazer uma tradução, daquilo que desenho. Gosto da ideia de que a magia da ilustração não está só nas mãos dos que a ilustram, mas também nos olhos dos que a vêem.

Queria terminar com um sincero agradecimento pelo convite para participar nesta iniciativa que junta o melhor de três mundos: a medicina, a ilustração e a solidariedade.

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Nós é que te agradecemos a generosidade Ana.

Para verem mais do seu trabalho sigam este link: http://o0luthien0o.deviantart.com/

OBRIGADO Ana Coroas!

Constança pura!

Constança Araújo Amador nasceu em 1984 e acredita na poesia.

E este é, talvez, o tipo de informação mais completo que se pode dar sobre um artista.

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Não obstante, o seu percurso profissional requer que se faça um, ainda que breve, resumo.
É licenciada em Artes Plásticas – Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Pós-Graduada em Gestão Cultural pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique e Mestre em Ilustração e Animação pelo Instituto Politécnico do Cávado e do Ave.

Desenvolve o seu trabalho artístico nas áreas da Pintura, do Desenho e da Ilustração. Participa em exposições individuais e colectivas desde 2006.  Orienta e realiza workshops e é directora de ilustração do Jornal Universitário do Porto (JUP).

Publicou o livro “Melancholia”, inspirado no filme homólogo de Lars Von Trier, na 14.ª edição da colecção “O Filme da Minha Vida”, pela Associação AoNorte Cineclube de Viana do Castelo e participou na edição do livro “Pelos Olhos dentro: 40 imagens de Abril”, da editora Arranha-Céus, organizada por João Paulo Cotrim. Mais recentemente fez as ilustrações do livro “Pessoas” sobre Fernando Pessoa e os seus heterónimos de Ricardo Barceló.

Quem ou qual foi a tua principal influência na escolha do teu caminho artístico? Os meus Pais, sem dúvida. Ambos são artistas plásticos, investigadores e pessoas que admiro muito. Com eles desde criança fui habituada aos ritmos e visões de cada um, visitei muita exposições e locais importantes da história da arte e tinha a liberdade como a aceitação de fazer do desenho e da pintura, a minha forma de expressão. O meu avô materno também foi importantíssimo no meu percurso artístico, com ele aprendi a observar a cadência das coisas, a ser paciente e sensível com tudo o que me rodeia.
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Porquê os pássaros, como principal tema, e a aguarela, como principal meio? Acho que o imaginário que tento transmitir é na realidade o pequeno universo que é o meu dia-a-dia — querer e estar rodeada pela Natureza. E na Natureza, os pássaros. Tenho uma ligação muito especial com os melros e com os piscos e gosto que o meu trabalho seja desta forma também auto-representativo. O que tento transmitir mais que contar histórias, é fixar momentos.

Depois, gosto do imediato na ilustração e a aguarela dá-me essa possibilidade, de poder avançar com uma ideia e torná-la num trabalho final, além de poder trabalhar melhor a mancha e as suas transparências. Mas tenho saudades de trabalhar em tela, de pintar a óleo e a acrílico. Sinto que o meu trabalho precisa de passar para um formato maior. Retomar a Pintura.Constança1

Fala-nos um pouco de como nasceu a ilustração que doaste à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. A ilustração que doei foi feita a partir de um dos meus poemas preferidos de Mário Cesariny: “Do capítulo de devolução” que diz:

No cosmos, olhar o cosmos como os que ainda podem
interrogar as ondas e morrer

Posso dizer que é um dos poucos trabalhos que ainda olho para ele e o sinto como meu. Normalmente desfaço-me emocionalmente dos trabalhos quando os acabo, como se o meu dever de ter que os ver feitos finalizasse-se com uma “pequena morte” artística. Guardo-os e depois espero que alguém goste e que queira ficar com eles.
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Cá para nós, absolutamente inspiradora! No dia da inauguração da exposição fiquem a conhecer esta ilustração tão especial de que nos fala e que nós tanto agradecemos!

Para mais Constança basta seguirem o seu Facebook, site ou tumblr

OBRIGADO, Constança!

Tisnadas à moda da Alexandra Gonçalves!

Esta semana trazemos a Ilustradora Alexandra Gonçalves.

Nasceu em Leiria e actualmente vive e trabalha como designer gráfico em Santa Maria da Feira.

Do currículo destaca-se a licenciatura em Arte e Design, na ESEC (Escola Superior de Educação em Coimbra), a frequência no Curso de Formação Contínua de Desenho Avançado nas Belas Artes do Porto, e a participação em workshops de  André Letria – ilustração, Jorge Mateus – Banda Desenhada e João Tordo – Escrita Criativa.

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Para além do seu projecto pessoal Tisnadas de Esplanada que criou e mantém activo, ilustra livros, colabora em parcerias de Branding, expõe regularmente por esse país fora!

Entrevista express, a seguir:

Quando e como te apercebeste que gostavas de desenhar? Desde criança, lembro-me de desenhar… Acho que começou logo nos tempos da pré-escola. A partir daí nunca deixei de desenhar: durante as aulas, nos intervalos, em casa, nos autocarros, no comboio… até aos dias de hoje, nas pequeninas folgas do trabalho…MAR_PORTUGUES

Como nasceu o teu projecto Tisnadas de Esplanada? O projecto Tisnadas surgiu pela necessidade de partilhar/fazer chegar a outros locais e pessoas os meus desenhos, que até então estavam guardados.IMG_0708

E o que te serviu de inspiração para criares a ilustração que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? A ilustração doada à Associção teve como inspiração as energias positivas, a importância de dizer “Bom dia”,com um sorriso, a cada dia que surge… As brincadeiras de infância e a nostalgia da felicidade desses tempos…

A ilustração “Bom dia, dia”, será conhecida no dia 10 de Outubro, juntamente com todas as outras obras doadas. Até lá, não há como consultar a sua página de Facebook para ficarem a conhecer do melhor que existe, em matéria de tisnadas!

OBRIGADO Alexandra Gonçalves !

Raquel Costa e os seus planos para dominar o mundo!

Raquel  Costa é artista plástica e ilustradora. Reside em Braga, expondo regularmente em Portugal e no estrangeiro. Entre muitas outras coisas, ilustra livros infantis e capas de discos. Gosta de mistérios Vitorianos, de livros, de árvores e de gatos.Raquel costa3

É nos livros e na magia escondida nos pequenos prazeres quotidianos que encontra inspiração para o seu trabalho. O seu little black spot, criado em 2011, é agora um projecto consistente, caminhando a passos largos para alcançar os planos que a Raquel projectou para ele: a dominação mundial!

O mundo agradece Raquel!

Vala pena ler o que nos disse:

Lembras-te do teu primeiro desenho? Foi a partir desse ponto que decidiste que a tua vida ia estar ligada à ilustração? Não houve um momento em que tenha, conscientemente, decidido começar a desenhar. É algo que sempre me acompanhou desde criança, mesmo antes de saber ler ou escrever.

Comecei a desenhar desde que fui capaz de segurar lápis na mão, portanto acho que não posso dizer que me lembre do primeiro desenho de todos. (risos)

Mas recordo-me que desde muito cedo foi evidente a minha afinidade com as artes, e à pergunta “o que queres ser quando fores grande?” respondia frequentemente “pintora” ou “arquitecta” ou “estilista”. Acabei por enveredar pelas Artes Plásticas (especificamente pela área da Escultura), pelo que a ilustração acabou por ser um desvio de percurso mais recente, mas muito feliz, porque me permitiu descobrir aquilo que me dá realmente mais prazer fazer na vida.

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Para além da primavera, quais são as tuas principais fontes de inspiração? Na verdade, encontro inspiração em tudo aquilo que me rodeia. Uma frase ouvida algures num programa de televisão, a letra de uma canção, até nas simples cores e formas dos alimentos que estou a preparar na cozinha.

Acho que é importante estar-se atento aos pequenos detalhes da vida quotidiana – por vezes nas coisas mais simples esconde-se a magia necessária para a criação. Naturalmente, tenho algumas paixões que se tornaram referências incontornáveis para o meu trabalho, como a Natureza, a astonomia, os livros, ou a anatomia. Essas paixões alimentam, por exemplo, o meu fascínio pela ilustração científica e pelas estórias de mistério e aventura, que são notas estilísticas dominantes nos meus projectos de ilustração.

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Queres falar um pouco de como nasceu a ilustração que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. A ilustração “The garden at the mad tea party” faz parte da minha série “Alice in Wonderland / Through the looking glass”, criada entre 2011 e 2012. O País das Maravilhas faz parte do meu imaginário desde criança, e acabo sempre por revisitá-lo ao longo dos tempos, de cada vez, com uma perspectiva ligeiramente diferente. Esta recriação do cenário da louca festa de chá, em que só está presente a personagem da Alice, funciona aqui como pretexto – ou cenário – para um retrato de uma Alice mais adulta, de personalidade algo blasé, com um toque de mistério.

Sempre me fascinou a forma como algumas pinturas nos seguem com o olhar, como a Gioconda. Suponho que, de cada vez que recrio uma Alice, procuro esse olhar enigmático, vagamente irónico.

Conquistados, não é? Sigam o seu trabalho pelo Facebook ou no seu site.

OBRIGADO Raquel Costa!

Daniel Silvestre da Silva, detalhe e carácter

Nasceu em Lisboa em 1979. É licenciado em Artes Plásticas pela ESAD – Caldas da Rainha e Mestre em Prática e Teoria do Desenho pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP). É actualmente estudante de Doutoramento em Arte e Design na FBAUP. Desde 2010 é docente convidado na Escola de Arquitectura da Universidade do Minho e, desde 2012, na Escola Superior Artística do Porto em Guimarães. Exerce actividade de ilustrador desde 2006.

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Entre outros, ilustrou textos de Alice Vieira, Ana Saldanha, David Soares, João Pedro Mésseder, José Luís Peixoto, Sophia de Mello Breyner Andresen e Wang Suoying, para além de desenhar também noutros contextos fora área editorial.

E como se isto não bastasse dedica-se também a ensinar o desenho fora dos meios académicos. Para os apaixonados pelo desenho e ilustração, Daniel Silvestre vai lançando cursos livres de banda desenhada e desenho de observação, nas cidades de Braga e Guimarães.

A entrevista que nos concedeu é como os seus desenhos, característica e com detalhes de filigrana, ainda que em poucas palavras. Ora vejam!

Lembras-te do teu primeiro desenho? Não me lembro do primeiro desenho que fiz, mas recordo-me de algumas aprendizagens importantes: a primeira casa tridimensional, a primeira personagem com uma sombra projectada no chão, a primeira nuvem branca sobre fundo azul (em detrimento do contrário).

Quando tomaste consciência que a tua vida teria que estar ligada ao desenho, à ilustração e às artes? A prática do desenho parece-me tanto uma competência que resulta do hábito, como um hábito que resulta da competência. Transformar essa prática em profissão foi uma decisão que tenho feito à medida que o caminho se faz.

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Revela-nos um pouco do universo que te serve de inspiração. O melhor universo é sempre o nosso. Entre os escritores circula há muito a ideia de que a escrita só pode ser bem-sucedida quando o seu autor está perfeitamente inteirado do assunto de que fala – “escreve sobre o que conheces”. Para muitos ilustradores esta ideia é bastante popular também, de que apenas a observação constante (não só das formas, mas dos modos, dos hábitos, das constelações, etc.) é capaz de desenvolver um olhar, de contrariar a tendência de estarmos insistentemente a desenhar os mesmos lugares comuns.

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Queres falar um pouco da história da ilustração que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? “Dirty shoes don’t go to heaven” é uma serigrafia pertencente a um conjunto maior que ensaia diversas piadas visuais em torno dos meus sapatos. Quando a fiz agradava-me essa ideia dos sapatos como elemento autobiográfico, como com eles nos fazemos ao caminho. É curioso como incluímos sapatos em dizeres que expressam dificuldades no percurso: “ter uma pedra no sapato” ou “descalçar uma bota”.

Para mais informações e outros desenhos de tirar o fôlego, procurem-no no Facebook e consultem o seu site.

OBRIGADO Daniel Silvestre!