Paisagens abstratas, por Teresa Vilar

Teresa Vilar licenciou-se em Design/ Artes Gráficas pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, em 1989.

Desde então, dedica-se ao ensino no 3º ciclo, em Braga, na Área de Expressões, desenvolvendo, paralelamente, produções gráficas no contexto da vivência da Comunidade Escolar e projectos artísticos experimentais.

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O seu percurso na pintura é longo e consistente, tendo-se iniciado mesmo antes da conclusão da licenciatura. Desde 1986 que expõe individualmente e em participações colectivas, quer em Portugal quer em Espanha.

A pintura é uma paixão que vem de criança ou desenvolveu-se durante o curso na faculdade de Belas Artes? A minha paixão pela ​pintura, e arte em geral, começou em tenra idade. Tudo aquilo que fosse possível eu criar e desenvolver de forma diferente do comum, sendo original, ​era motivo de entusiasmo para mim.

E, na minha juventude, as  Belas Artes constituíam,​ na minha perspectiva, o lugar onde tudo isso era possível.

Por isso, eram o meu sonho e aí me formei em Design / Artes Gráficas. A par da minha actividade profissional como professora da área de Artes, a pintura esteve sempre presente na minha vida.

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E a pintura abstrata tão característica da Teresa Vilar​, que técnicas utilizas para a desenvolver? A pintura abstrata só se torna mais evidente no meu percurso após a minha formação nas Belas-Artes. Fiquei, por assim dizer, “cansada” de desenhar o real/ concreto, pois havia todo um universo pictórico mais alargado que me interessava explorar, construído muito mais na base das emoções, sensações, sugestões, sonhos, ou seja, toda uma representação de conceitos e ideias mais abstratas, num reflexo daquilo que queria exteriorizar. Por isso, tento tirar o máximo partido de cada técnica para potencializar o registo de conceitos e paisagens abstractas, de uma forma muito diversa.

No passado utilizei muito aguarela, óleo, pastel seco e pastel de óleo; o acrílico foi e continua a ser uma técnica que gosto de desenvolver, bem como soluções mistas e outras mais recentes como são a técnica de encáustica e a técnica de vidro  frio. No fundo, eu adapto-me às técnicas e adapto-as ao meu registo pessoal.

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Como nasceu a tela que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? ​O quadro “Regata na ria” está relacionado com momentos de observação da ria e do movimento enérgico das manhãs, ao nascer-do-sol, ou das tardes, com o pôr-do-sol.

Esta escolha para doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington, resulta da intenção de partilhar estas impressões sobre esses lugares e momentos pessoais que me trazem ora energia, ora tranquilidade, e assim serem também inspiração para se viver a vida o melhor possível.

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Ficarão a conhecer o quadro “Regata na ria” durante a inauguração da exposição colectiva, durante a tarde do dia 10 de Outubro, na galeria CMB do espaço GNRation. Até lá, vão seguindo notícias sobre o trabalho de Teresa Vilar, no seu site.

OBRIGADO Teresa Vilar!

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Carlos Teixeira, o pintor de expressões

Carlos Teixeira é natural de Angola, filho de pais portugueses, mas desde os 4 anos que reside em Braga. Carlos T (assim assina os seus trabalhos) possui uma aguçada sensibilidade artística, pintando em todos os estilos de acordo com as emoções do momento.

O seu trabalho tem sido amplamente exposto em Portugal, Espanha e França. De todas as suas vertentes, a sua série de telas “EXPRESSÕES COLORIDAS” é, talvez, a que mais impacto provoca em quem observa. Nesta série retrata gente sem-abrigo, de uma maneira peculiar e eficaz. A cor e contraste que emprega, obrigam-nos a encarar de frente rostos pertencentes a uma realidade que diariamente tentamos fingir que não existe.

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A suas palavras, a seguir:

Os teus retratos são uma das tuas imagens de marca. A utilização e cores fortes é propositada ou surgiu por experiência e ficou? A utilização das cores fortes foi propositada para ir de encontro com o tema “Expressões Coloridas”. Este trabalho onde retratei rostos de sem abrigos, utilizei as cores fortes para ressaltar o passado que cada um traz reflectido em sua expressão.IMG_0681 De tudo o que fazes o que te dá mais gosto? Abstractos, retrato, paisagens?…Cada trabalho para mim é único, pinto em todos os estilos de acordo com as emoções do momento.

Fala-nos da tela que doas à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington. Primeiramente gostaria de agradecer o convite de participar deste evento e de fazer a doação de uma obra minha. Fagulha Cósmica é o nome da obra que busca na menor percepção que seja, a presença de uma energia infinita, que leva a uma grande compreensão interior e gera um processo alquímico na Alma Humana.

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Para mais do seu trabalho consultem a sua página de Facebook.

OBRIGADO Carlos T !

Daniel Silvestre da Silva, detalhe e carácter

Nasceu em Lisboa em 1979. É licenciado em Artes Plásticas pela ESAD – Caldas da Rainha e Mestre em Prática e Teoria do Desenho pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP). É actualmente estudante de Doutoramento em Arte e Design na FBAUP. Desde 2010 é docente convidado na Escola de Arquitectura da Universidade do Minho e, desde 2012, na Escola Superior Artística do Porto em Guimarães. Exerce actividade de ilustrador desde 2006.

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Entre outros, ilustrou textos de Alice Vieira, Ana Saldanha, David Soares, João Pedro Mésseder, José Luís Peixoto, Sophia de Mello Breyner Andresen e Wang Suoying, para além de desenhar também noutros contextos fora área editorial.

E como se isto não bastasse dedica-se também a ensinar o desenho fora dos meios académicos. Para os apaixonados pelo desenho e ilustração, Daniel Silvestre vai lançando cursos livres de banda desenhada e desenho de observação, nas cidades de Braga e Guimarães.

A entrevista que nos concedeu é como os seus desenhos, característica e com detalhes de filigrana, ainda que em poucas palavras. Ora vejam!

Lembras-te do teu primeiro desenho? Não me lembro do primeiro desenho que fiz, mas recordo-me de algumas aprendizagens importantes: a primeira casa tridimensional, a primeira personagem com uma sombra projectada no chão, a primeira nuvem branca sobre fundo azul (em detrimento do contrário).

Quando tomaste consciência que a tua vida teria que estar ligada ao desenho, à ilustração e às artes? A prática do desenho parece-me tanto uma competência que resulta do hábito, como um hábito que resulta da competência. Transformar essa prática em profissão foi uma decisão que tenho feito à medida que o caminho se faz.

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Revela-nos um pouco do universo que te serve de inspiração. O melhor universo é sempre o nosso. Entre os escritores circula há muito a ideia de que a escrita só pode ser bem-sucedida quando o seu autor está perfeitamente inteirado do assunto de que fala – “escreve sobre o que conheces”. Para muitos ilustradores esta ideia é bastante popular também, de que apenas a observação constante (não só das formas, mas dos modos, dos hábitos, das constelações, etc.) é capaz de desenvolver um olhar, de contrariar a tendência de estarmos insistentemente a desenhar os mesmos lugares comuns.

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Queres falar um pouco da história da ilustração que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? “Dirty shoes don’t go to heaven” é uma serigrafia pertencente a um conjunto maior que ensaia diversas piadas visuais em torno dos meus sapatos. Quando a fiz agradava-me essa ideia dos sapatos como elemento autobiográfico, como com eles nos fazemos ao caminho. É curioso como incluímos sapatos em dizeres que expressam dificuldades no percurso: “ter uma pedra no sapato” ou “descalçar uma bota”.

Para mais informações e outros desenhos de tirar o fôlego, procurem-no no Facebook e consultem o seu site.

OBRIGADO Daniel Silvestre!

Os espaços magnéticos de Ângela Vieira!

Ângela trabalha como ilustradora freelancer tendo colaborado com várias editoras, sobretudo na área da ilustração infantil. Mas não é a única vertente em que aplica o seu trabalho. A última foto aqui publicada é exemplo disso. Trata-se de um mural que idealizou e concretizou em 2013 no GNRation.

É uma arquitecta tornada ilustradora, e ainda bem, senão hoje não podíamos comprar pão porque nas suas cidades não há padarias!… – Palavras da própria!

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A seguir conta-nos uns segredos, ora vejam:

Sabemos que tens formação em arquitectura. Como foi que decidiste enveredar pela ilustração? A decisão de enveredar pela ilustração foi tomada de uma forma espontânea. Até ter terminado o curso de Arquitectura nunca tinha pensado na possibilidade ser ilustradora. Senti que tinha necessidade de explorar e criar diferentes mundos, e que através da Arquitectura isso não era possível. Precisava de ter uma relação de maior intimidade entre o produto final e o processo de criação. Sem grandes planeamentos e sem expectativas, decidi criar um portfolio de ilustração e enviá-lo a diferentes editoras. A partir daqui consegui os meus primeiros trabalhos que me fizeram repensar na carreira que eu deveria investir, e hoje não me imagino a fazer outro trabalho.

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As tuas ilustrações parecem arrastar-nos para dentro delas. E quase sempre isso se deve às envolventes arquitectónicas. O que te leva a desenhá-las dessa forma? Aquilo que geralmente represento num desenho é apenas uma pequena parte, um momento congelado, de um mundo muito mais vasto, dinâmico e complexo. Na minha imaginação, eu estou sempre dentro desses espaços, estou a vivê-los. Por essa razão, gosto de utilizar este género de perspectiva para criar a ilusão de que conseguimos entrar nesse espaço, que podemos absorver todas a informação desse ambiente.

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Fala-nos um pouco sobre o significado da ilustração que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington ? Esta ilustração fez parte de um trabalho que fiz para a Casa Rolão em Braga. É uma perspectiva alterada de um espaço interior dessa casa. Quando estava a fazer esta ilustração, através da luz e da perspectiva, queria transmitir o sentimento de elevação, de uma fénix a renascer das cinzas. Por isso, quando fui contactada para participar neste projecto, decidi que esta era a melhor imagem para doar à Associação.

Não deixem de visitar o Facebook e o site da Ângela Vieira que é, ele mesmo, um mundo cheio de recantos ilustrados por explorar!

OBRIGADO  Ângela Vieira

A carga poética de Paula Bonet!

Licenciada em Belas Artes pela Universidade Politécnica de Valência, completa a sua formação em Santiago do Chile, Nova Iorque e Urbino.

Inicialmente trabalhou as técnicas de pintura a óleo mas a partir de 2009 centra-se na ilustração e desde então trabalha nessa área.

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O seu trabalho, carregado de poesia, tem uma imensidão de ramificações, desde publicação de livros, ilustração para imprensa, estenografia, design de posters e pintura mural.

A sua obra tem sido exposta em Barcelona, Madrid, Valência, Porto, Paris, Londres, Bélgica, Urbino e Berlim e a partir do dia 10 de Outubro vai acrescentar Braga a esta lista! A exposição colectiva Huntington no GNRation vai contar com quatro artprints desta ilustradora catalã.

Vejam o que nos diz, a seguir!

Lembras da tua primeira ilustração ou desenho? O primeiro desenho não lembro, mas sim do primeiro quadro que pintei: era um barco que estava a lutar numa tempestade, cheio de marinheiros – que eu desenhei com as cabeças muito grandes –  Foi uma prenda que fiz para o meu avô paterno, a primeira prenda que tinha desenhado e pintado sem ajuda. Se calhar tinha 8 ou 9 anos.

Em que momento foste consciente de que a tua vida estaria ligada a ilustração? A minha vida sempre esteve ligada a ilustração. Antes de estudar Belas Artes e depois. Assim que o meu trabalho começou a ser reconhecido e também antes, quando não era conhecido.

As tuas ilustrações transmitem uma grande intensidade de emoções. Em que te inspiras? Inspiro-me no quotidiano, em todas aquelas emoções ou situações com as quais todos temos de conviver no nosso dia-a-dia.

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Queres falar um pouco sobre o significado das ilustrações que doas à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? Prefiro deixar que cada espectador tire as suas conclusões ao ver as ilustrações, mas todas estão baseadas em emoções reais, em afinidades, gostos, medos ou desejos.

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Fenomenal não acham? sigam-na no Facebook ou no seu Site oficial

OBRIGADO Paula Bonet

Vitor Zapa pinta palavras de ordem!

Vitor Zapa é um pintor residente em Braga, com obras impactantes que exigem um olhar inquieto para serem entendidas. Por isso não se podem ver a correr. É preciso demorar em cada uma para se extrair significado. Até porque não têm um título que nos guie (Zapa recusa-se a facilitar-nos a vida)!

VP3A entrevista é curta mas suficiente para se intuir um Zapa descontraído e pouco dado a convenções.

Lembras-te da tua primeira obra de arte? Lembro-me…! Ainda fazia cocó no bacio…

Quando e porque decidiste dedicar a tua vida à pintura? Desde que me conheço e a tempo inteiro desde 2005.

As tuas pinturas são provocadoras e carregadas de crítica social. Em que te inspiras? Gosto de provocar para estimular o pensamento. É constante a violação dos direitos humanos e a falta de respeito por tudo o que nos rodeia e do que fazemos parte… que mais posso pintar senão crítica social ?!…

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Queres falar um pouco sobre o significado da peça que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? As obras não têm que ser explicadas, mas sim entendidas! “Quotidiano”…

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OBRIGADO Vitor Zapa

Irene Filipe é #euroafrotropicalismo!

Começamos a apresentação dos artistas que colaboram com o Huntington no GNRation da forma mais alegre e colorida possível! Irene Filipe é Angolana, cresceu em Portugal e vive no Brasil.

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As cores vibrantes, os padrões africanos, a riqueza dos povos com as suas crenças e mitos, a música e os sabores de cada lugar, as viagens onde busca inspiração e a rica multiculturalidade inerente à sua família e vivências definem a sua identidade e influenciam os seus projectos com uma linguagem forte e muito própria. Em 2013 criou a marca IRENE e inspirou o termo Euroafrotropicalismo.

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E que bem que lhe assenta! Hoje deixa-nos um pouquinho sobre si nesta pequena entrevista:

Lembras-te do teu primeiro desenho? Não me lembro… segundo o que a minha mãe conta os meus brinquedos preferidos desde muito pequena eram os lápis e as canetas com os quais passava horas a brincar desenhando…

Quando e por que motivo decidiste começar a fazer ilustração? Sempre gostei de desenhar, é algo para mim natural e libertador. Sempre desenhei mas só há mais ou menos um ano é que percebi que a ilustração poderia ser a minha profissão.

O que te inspira a criar desenhos e padrões tão coloridos e alegres? Sobretudo  à minha família multi-cultural e à minha própria experiência de vida que me permitiu viver em países tão diversos como Portugal, Angola e Brasil. irene3irene2 Queres falar um pouco sobre o significado da ilustração que decidiste doar à Associação Portuguesa de Doentes de Huntington? É uma ilustração de uma série chamada “icon” inspirada em África e tendo como elemento principal uma mulher africana rodeada de elementos da natureza, cores e padrões também eles de inspiração africana. Curiosos? Visitem, o seu facebook, site e loja online!

OBRIGADO Irene